PMs e guarda municipal são presos por suspeita de estupro de indígena no interior do Amazonas

Quatro homens — três policiais militares e um guarda municipal — foram presos neste sábado (26/07) sob suspeita de estuprar uma mulher indígena da etnia Kokama durante uma custódia irregular em uma delegacia do interior do Amazonas. As prisões ocorreram menos de 24 horas após o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) solicitar a prisão preventiva dos envolvidos.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), outros dois policiais militares — um de férias e outro em missão — devem se apresentar às autoridades nas próximas horas.
Os mandados foram cumpridos pelas Polícias Civil e Militar em Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá, onde os acusados estavam em atividade. A decisão de prisão preventiva foi deferida pelo juiz Édson Rosas, após pedido do MPAM, que também requereu o afastamento dos agentes de suas funções e a suspensão do porte de armas, conforme previsto no Código de Processo Penal Militar.
Em depoimento às promotoras de Justiça Priscila Pini e Lilian Nara, a vítima relatou os abusos, além de episódios de humilhação, tortura e intimidação. Ela também denunciou que policiais foram até a casa de sua mãe, em Santo Antônio do Içá, para ameaçar sua família, em uma tentativa de silenciar as denúncias.
A procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Nascimento Albuquerque, classificou o caso como uma grave violação de direitos humanos. “Estamos diante de uma situação extrema, cometida por agentes que deveriam proteger a população. O MPAM seguirá atuando para garantir justiça à vítima e segurança à sua família”, afirmou.
O processo criminal tramita sob segredo de Justiça para preservar a integridade da vítima e a investigação.




Nenhum comentário