18/07/2026

PF investiga voo com Hugo Motta e Ciro Nogueira após liberação de bagagens sem fiscalização

         

Registro em livro de ocorrências aponta passagem de malas sem raio-X; caso foi enviado ao STF para análise

Um registro feito à mão no livro de ocorrências do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), indica que bagagens teriam sido liberadas sem fiscalização no desembarque de um voo que transportava autoridades políticas. A informação consta em inquérito da Polícia Federal, obtido pelo portal g1.

De acordo com o documento, o auditor fiscal da Receita Federal, Marco Antônio Canella, teria autorizado a liberação de malas e bolsas sem inspeção no dia 20 de abril de 2025. O registro foi feito por um agente de proteção da aviação civil (APAC), responsável por relatar irregularidades.

“Liberou todas as malas e bolsas de mão com todos os eletrônicos (…) e autorizou a passar bagagem do tripulante fora do raio-X”, diz o trecho reproduzido no inquérito.

O voo, de prefixo PP-OIG, partiu da ilha de São Martinho, considerada paraíso fiscal pela Receita Federal. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”.

A lista de passageiros obtida pela PF confirma a presença de autoridades no voo, entre elas o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. Também estavam a bordo os deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões.

A investigação busca apurar se a liberação das bagagens sem fiscalização foi um caso isolado ou se pode indicar um padrão de conduta irregular. A PF apura possíveis crimes como prevaricação e facilitação de contrabando.

O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em abril de 2026, após a identificação de autoridades com foro privilegiado entre os passageiros. O ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do inquérito à Procuradoria-Geral da República para manifestação.

Procurado, o presidente da Câmara afirmou que “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguarda a análise da PGR. O senador citado não se manifestou até a última atualização.

O piloto da aeronave informou, em nota, que não se recorda do episódio, mas declarou que segue os procedimentos padrão em operações de desembarque. Já o auditor fiscal mencionado não havia se posicionado.

A investigação segue em andamento e deve avançar a partir da análise da Procuradoria-Geral da República.

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