PF começa a investigar aplicações previdenciárias na região Norte; Amazonas teve investimento no Banco Master

A Polícia Federal iniciou, pelo Amapá, a apuração criminal de aplicações financeiras feitas com recursos de previdência pública. A Operação Zona Cinzenta, deflagrada em fevereiro, investiga possíveis irregularidades na gestão do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá, com foco em investimentos realizados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que entrou em processo de liquidação extrajudicial. A PF apura indícios de gestão temerária e gestão fraudulenta, crimes associados ao uso de recursos públicos com risco excessivo ou fora das regras legais.
No Amazonas, não há investigação da Polícia Federal em curso, nem operação semelhante anunciada até o momento. Ainda assim, documentos e decisões públicas confirmam que a AmazonPrev realizou investimento do mesmo tipo e no mesmo banco. Conforme registros do Tribunal de Justiça do Amazonas, o fundo previdenciário estadual aplicou R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, operação realizada em 2024.
Após a liquidação do banco, o tema passou a ser analisado por órgãos de controle no estado. Um grupo de trabalho do Tribunal de Justiça examinou informações sobre os investimentos da AmazonPrev e recomendou medidas para reforçar a segurança e a governança das aplicações. Em fevereiro deste ano, a Justiça do Amazonas também determinou a suspensão do repasse de consignados ao Banco Master, citando o risco de prejuízo ao patrimônio previdenciário dos servidores.
A situação cria um paralelo técnico entre os dois estados. No Amapá, aplicações em Letras Financeiras do Banco Master resultaram em investigação criminal da Polícia Federal. No Amazonas, houve aplicação semelhante, reconhecida oficialmente, mas as apurações seguem restritas às esferas administrativa e judicial, sem atuação federal até agora.
Especialistas ouvidos em reportagens nacionais apontam que a simples existência do investimento não configura crime, mas pode levar à investigação criminal caso surjam indícios de aprovação irregular, falhas graves na análise de risco ou dano efetivo ao patrimônio público. Nesse contexto, a operação no Amapá marca o início de uma linha de atuação da Polícia Federal na região Norte voltada a esse tipo de transação, enquanto o caso do Amazonas permanece, por ora, fora do âmbito criminal federal, apesar da semelhança do instrumento financeiro e do banco envolvido.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: PF




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