18/07/2026

EDUARDO BOLSONARO TROCA FARPAS COM JUIZ DO AMAZONAS APÓS COMPARAR PRISÃO DOMICILIAR A “CATIVEIRO”

         

Uma publicação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro provocou reação do juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Luís Carlos Valois, magistrado com longa atuação na área de execução penal.

Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que o pai “não está numa prisão domiciliar, está num cativeiro”. A declaração foi feita ao comentar as condições impostas ao ex-presidente durante o cumprimento da medida.

A publicação recebeu resposta de Luís Carlos Valois, que escreveu:

“Mas prisão domiciliar não era impunidade?!”

Na sequência, o magistrado ampliou a crítica. Valois afirmou que, durante anos, a prisão domiciliar foi tratada por setores políticos como um benefício indevido concedido a presos, mas que agora passou a ser apresentada como uma punição extremamente severa.

O juiz também ironizou a comparação feita por Eduardo Bolsonaro ao afirmar que pessoas em prisão domiciliar podem tomar banho de piscina, receber familiares, dormir na própria cama, alimentar-se em casa e conviver com a família, condições que, segundo ele, são incompatíveis com a ideia de um “cativeiro”. Para Valois, o uso desse termo desvirtua o significado jurídico e prático da prisão domiciliar.

A manifestação ganhou repercussão por partir de um magistrado com experiência direta no sistema prisional. Luís Carlos Valois atuou por aproximadamente 26 anos na Vara de Execuções Penais de Manaus, unidade responsável por acompanhar o cumprimento de penas e fiscalizar medidas relacionadas à execução penal.

Em 2024, Valois deixou a Vara de Execuções Penais após ser removido para a 9ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus. Ele permanece como juiz de Direito do TJAM.

A troca de declarações ocorre em meio ao endurecimento das condições da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Na decisão mais recente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão, por 30 dias, das visitas ao ex-presidente, permitindo apenas o acesso de advogados e de profissionais responsáveis por atendimentos médicos e de saúde.

O ministro também proibiu Bolsonaro de participar, promover ou permitir manifestações de natureza político-eleitoral durante o período em que estiver submetido às medidas cautelares, inclusive por meio de cartas, gravações, mensagens ou qualquer outra forma de comunicação divulgada por terceiros. A decisão foi tomada após a divulgação de uma carta atribuída ao ex-presidente nas redes sociais.

Além disso, Alexandre de Moraes proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai durante 90 dias e negou autorização para uma visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao entender que o encontro poderia ter caráter político.

A defesa de Jair Bolsonaro considera as restrições desproporcionais e afirma que buscará reverter as medidas pelos meios legais. As determinações, porém, permanecem em vigor até nova decisão do Supremo Tribunal Federal.

A repercussão da troca de mensagens ampliou o debate sobre os limites da prisão domiciliar, modalidade de restrição da liberdade prevista na legislação brasileira, mas que pode ser acompanhada de diversas condições impostas pela Justiça, conforme as circunstâncias de cada caso. Nesse contexto, a manifestação de Luís Carlos Valois ganhou destaque por partir de um magistrado que dedicou grande parte da carreira à execução penal e ao acompanhamento do sistema prisional brasileiro.

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