21/02/2024

Caso Amom: Revista Veja reaviva dossiê desmentido por laudo

         

FOTO: ROBERVALDO ROCHA / CMM

Amom Mandel, deputado federal do Amazonas pelo partido Cidadania, volta a dar indícios de descontentamento em relação à repercussão de uma abordagem policial qualificada como abuso de poder e humilhação pelo comando da Polícia Militar do Amazonas. O parlamentar alega que a operação realizada em toda a zona leste da capital, tinha a exclusiva intenção de coagi-lo, devido à denúncia que apresentou à Polícia Federal contra pessoas influentes do estado.

Na presente semana, Amom teria procurado à redação de uma revista de circulação nacional para entregar o referido dossiê. A expectativa era de que se tratasse de informações inéditas e altamente reveladoras, capazes de encerrar tal controvérsia.

No entanto, constata-se que esse documento já foi apresentado pelo menos em outras duas ocasiões, sempre em proximidade com o período eleitoral. O mencionado dossiê sugere uma suposta ligação do governador Wilson Lima e do prefeito David Almeida com o crime organizado. Contudo, até o momento, foram identificadas 34 incoerências nesse documento. Até mesmo a suposta gravação da fala do prefeito David Almeida, capturada em uma ligação com traficantes, foi considerada falsa, conforme atestou laudo técnico elaborado por uma empresa legalmente credenciada. Veja documento anexo a baixo.

00 LAUDO FINAL – MANAUS_assinado

Ademais, o dossiê, desprovido de assinatura, não é reconhecido pela própria Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, e, no suposto período de sua produção, a secretaria de inteligência era comandada por profissionais que foram alvo de operações da própria Polícia Federal por desvio de ouro entre outros crimes. Veja reportagem nacional sobre a prisão de policiais da Seai. Veja

Tudo indica que essa contenda de egos está longe de chegar a um desfecho. A exigência inicial do deputado, era que o secretário de segurança, coronel Vinicius Almeida, gravasse um vídeo afirmando que a equipe errou na abordagem. Vinicius já disse que não fará o vídeo. Dessa forma, é bem provável que novos episódios desse desentendimento ganham força nos próximos dias.

A seguir, nota de esclarecimento da prefeitura sobre o Dossiê:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O prefeito de Manaus, David Almeida, repudia veementemente as falsas, levianas e criminosas acusações, sem qualquer prova, de que a campanha dele à Prefeitura em 2020 teve alguma relação com integrantes do crime organizado.

Esse é um assunto que mais uma vez é requentado, sem qualquer veracidade, e que surgiu a partir de um dossiê, supostamente produzido pela Secretaria de Inteligência (Seai), da Secretaria de Segurança do Governo do Amazonas, mas não reconhecido pelo próprio Executivo estadual, e sequer assinado.

Esse mesmo dossiê “apócrifo” foi levado ao Ministério Público e a instituição não instalou inquérito para investigar o caso pela total falta de indícios e provas.

O caso já foi inclusive desmentido pelo próprio prefeito David Almeida, em coletiva de imprensa ainda em outubro de 2022, ocasião em que foram apontadas pelo menos 34 inconsistências no relatório atribuído à Seai.

Sobre os áudios, que seriam de uma suposta interceptação telefônica, citam os nomes do prefeito e do vice-prefeito Marcos Rotta, e não se sabe por quem. E a voz, atribuída ao prefeito, sequer tem o mesmo timbre ou entonação, o que se comprovou como uma grosseira afirmação no suposto relatório da Seai.

Na ocasião, ainda em 2022, o prefeito contratou perícia para atestar a falsidade dos áudios atribuídos a ele. E na conclusão pericial, realizada pela empresa Freenatworks Solutions, foi constatado a fraude, que considerou os mais diferentes aspectos técnicos, como: entonação, timbre, articulação vocal, emissão vocal, entre outros analisados.

“É criminoso quem produziu (o dossiê), quem vazou e quem compartilha e ele só serviu para tentar me constranger, sem qualquer prova, um relatório que não diz quem o solicitou, de onde partiu, não chega a nenhum conclusão, não é assinado, e mesmo depois de ter sido claramente desmentido, volta a ser propagado”, destaca o prefeito. O prefeito lembra ainda que toda vez que o velho assunto ressurge, é na proximidade de um processo eleitoral.

Vale lembrar que à época em que o dossiê foi produzido, a Seai era comandada por criminosos. Investigações do Ministério Público resultaram, em 2022, na Operação Garimpo Urbano, que prendeu o então titular da Seai e outros policiais que atuavam no órgão. O grupo usava a estrutura do Estado para fazer grampos ilegais de telefones para extorquir e praticar crimes.

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