08/06/2026

Justiça torna réus 13 investigados por garimpo ilegal que movimentou R$ 258 milhões no Amazonas

         

Grupo é acusado de explorar ouro ilegalmente em área protegida de Maués; MPF estima prejuízo ambiental superior a R$ 267 milhões.

A Justiça Federal aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 13 investigados por participação em um esquema de garimpo ilegal que teria movimentado R$ 258,6 milhões no Amazonas.

Segundo as investigações, o grupo atuava entre abril de 2023 e agosto de 2025 no chamado “Filão dos Abacaxis”, localizado dentro da Floresta Nacional de Urupadi, no município de Maués, interior do estado.

De acordo com o MPF, a atividade ilegal provocou danos socioambientais estimados em R$ 267 milhões. A denúncia é resultado da Operação Mineração Obscura, conduzida pela Polícia Federal para desarticular a exploração clandestina de ouro na região.

Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que os investigados movimentaram mais de R$ 258 milhões durante o período analisado pelas autoridades.

Além dos impactos financeiros, a investigação identificou graves danos ambientais na bacia do rio Abacaxis. Segundo o MPF, cerca de 8,5 quilos de mercúrio foram despejados na região, expondo aproximadamente 67 mil pessoas ao risco de contaminação pelo metal tóxico.

Durante as fiscalizações, os agentes também encontraram estruturas preparadas para utilização de cianeto, outra substância considerada altamente perigosa para o meio ambiente e para a saúde humana.

A denúncia também aponta a existência de trabalho em condições análogas à escravidão. Durante as ações de fiscalização, equipes do Ministério do Trabalho e Emprego resgataram mais de 50 trabalhadores que atuavam nos garimpos ilegais.

Segundo o MPF, os trabalhadores viviam em barracos improvisados no meio da floresta, sem acesso a água potável, saneamento básico ou condições adequadas de higiene.

“Os profissionais cumpriam jornadas exaustivas em turnos de 24 horas de trabalho por 24 horas de descanso e eram obrigados a manusear substâncias altamente tóxicas, como mercúrio e cianeto, sem Equipamentos de Proteção Individual”, informou o Ministério Público Federal.

As investigações também apontam que o grupo mantinha uma estrutura permanente de segurança armada para controlar a área de exploração. Durante as operações policiais, foram apreendidos fuzis, submetralhadoras, pistolas, munições e outros armamentos.

Na fase ostensiva da Operação Mineração Obscura, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nos estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Piauí. Três suspeitos foram presos, sendo um deles em flagrante por posse de fuzil.

Os agentes apreenderam ainda veículos de luxo, joias, dinheiro em espécie, barras de ouro e outros bens considerados de alto valor.

Por determinação da Justiça Federal, mais de R$ 74 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados foram bloqueados para garantir eventual reparação dos danos ambientais causados pela atividade ilegal.

As investigações contaram com apoio do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI-Amazônia), reunindo forças de segurança de diferentes estados e países da região amazônica.

 

 

Nenhum comentário

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Você não pode copiar conteúdo desta página