Instituto de Autismo compra sede com herança de Jô Soares, mas precisa de ajuda para adaptar espaço em Manaus
Um pedaço do legado de Jô Soares agora faz parte da realidade de Manaus. O Instituto Autismo no Amazonas (IAAM) foi uma das quatro instituições brasileiras selecionadas para receber parte da herança do humorista, falecido em 2022.
A doação, prevista em testamento, destinou 10% dos R$ 50 milhões do patrimônio de Jô Soares para entidades voltadas ao acolhimento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Com esses recursos, o IAAM conseguiu adquirir sua primeira sede própria, localizada no bairro Parque Dez, zona Centro-Sul da capital.
“O valor exato não foi divulgado pela família do artista, mas, considerando a localização e o padrão do imóvel, estima-se que a sede não tenha custado menos de R$ 1 milhão”.
Atuando há 13 anos em Manaus, o IAAM atende atualmente 120 crianças. A sede própria encerra um longo período de instabilidade e representa economia com aluguéis, que ultrapassavam R$ 40 mil anuais.
“É um alívio enorme. Agora temos um espaço fixo, e isso faz toda a diferença para manter o trabalho e planejar o futuro”, destaca a diretora Ana Melo, uma das mães envolvidas na gestão da entidade.
Com o novo imóvel, o instituto oferece atividades como natação, aulas de empreendedorismo para autistas, atendimento pediátrico, fonoaudiologia e oficinas educativas. No entanto, o local ainda precisa de reformas estruturais e adequações de acessibilidade para receber melhor as crianças.
“Conseguimos a sede, mas agora precisamos da ajuda da sociedade para adaptar o espaço. Queremos garantir dignidade, segurança e inclusão para os nossos atendidos”, explica Socorro Duarte, também diretora do instituto.
Durante a visita da reportagem, foi possível acompanhar o dia a dia das crianças no espaço. Com diferentes níveis de comunicação e habilidades, os autistas atendidos encontram no IAAM um ambiente de estímulo, cuidado e acolhimento.
“É aqui que meu filho aprendeu a se comunicar. A equipe é maravilhosa, e agora com a casa nova, podemos sonhar ainda mais alto”, conta Vânia Silva, mãe de uma das crianças.
A diretoria do IAAM estuda formas de captação de recursos para as reformas necessárias e convida empresas e a população a contribuírem com a continuidade do projeto. Segundo elas, a herança deixada por Jô Soares foi um marco, mas o futuro do instituto depende do apoio coletivo.
“O Jô nos deu um presente. Cabe a nós fazer esse presente florescer.”
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