Estado e Prefeitura trocam críticas sobre responsabilidades na saúde de Manaus
Secretários apresentam versões diferentes sobre a divisão dos atendimentos no SUS, a pressão sobre os prontos-socorros e a construção do primeiro Hospital-Dia Municipal. Assista ao vídeo e entenda os dois lados.
Autoridades do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus voltaram a trocar críticas sobre a organização da saúde pública na capital. O embate envolve as responsabilidades de cada rede, a capacidade de atendimento das unidades municipais e a pressão sobre hospitais e prontos-socorros estaduais.
Em um dos vídeos, o secretário estadual de Saúde, Luís Saraiva, foi ao terreno onde a Prefeitura pretende construir o primeiro Hospital-Dia Municipal, no Parque Mosaico. Diante da pedra fundamental, questionou o andamento do projeto.
“Pergunte agora para essa pedra quantos pacientes ela já atendeu. Seis anos e nada. Zero”, declarou.
A Prefeitura afirma, porém, que o projeto foi lançado em março deste ano e que a unidade não funcionará como pronto-socorro. Segundo o secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, o Hospital-Dia terá consultas, exames e cirurgias de média complexidade, com atendimento agendado.
Em outra publicação, Luís Saraiva usou o ChatGPT para reforçar que Manaus não possui hospital nem pronto-socorro municipal, apresentando a situação como uma deficiência da rede da capital.
Nagib Salem sustenta que o município concentra sua atuação na atenção primária e que, conforme a divisão adotada entre os gestores do Sistema Único de Saúde, os atendimentos de média e alta complexidade ficam sob responsabilidade do Estado.
“Manaus é responsável pela atenção primária, sendo o Estado responsável pela média e alta complexidade”, afirmou o secretário municipal.
Saraiva argumenta que parte dos pacientes atendidos nos prontos-socorros estaduais poderia ter os casos resolvidos nas unidades municipais. Ele citou uma estimativa de que aproximadamente 70% dos atendimentos seriam de baixa complexidade, mas não apresentou uma fonte oficial para o percentual.
“A rede estadual acaba segurando a maior parte das urgências e emergências”, disse.
A Prefeitura responde que decidiu ampliar sua atuação na média complexidade justamente para ajudar a reduzir a demanda sobre a rede estadual.
“Manaus está entrando numa complexidade maior, mas no intuito de ajudar o Estado e, principalmente, a população”, declarou Nagib Salem.
O secretário municipal também cita a expansão das unidades básicas de saúde, policlínicas, laboratórios, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e da Maternidade Moura Tapajós. Segundo ele, Manaus aparece há sete avaliações consecutivas entre as capitais com melhor desempenho em indicadores federais da atenção primária.
Apesar das divergências, Nagib reconhece que Estado e Município precisam atuar de forma integrada.
“A gente não pode fazer saúde de forma isolada”, afirmou.
As declarações mostram cobranças dos dois lados. O Estado questiona a capacidade da rede municipal de absorver atendimentos de menor complexidade. A Prefeitura afirma que a rede estadual não ampliou hospitais, maternidades e serviços especializados na mesma proporção do crescimento da população.
As versões precisam ser confrontadas com dados oficiais, metas, prazos e resultados. A Prefeitura deve esclarecer o cronograma do Hospital-Dia, enquanto o Estado precisa apresentar os avanços na redução das filas, na estrutura hospitalar e na regularização dos pagamentos aos profissionais.
A cobrança entre gestores faz parte do debate público. O que não contribui para a população é transformar a divisão técnica do SUS em uma disputa política, com estimativas sem fonte ou informações apresentadas sem o contexto completo.
Assista à reportagem em vídeo e entenda os argumentos apresentados pelo Estado e pela Prefeitura de Manaus.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação
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