Ministro da Fazenda diz que recursos para filme sobre Bolsonaro podem ter origem no crime organizado

Avaliação de Dario Durigan ocorre após nova fase da Operação Carbono Oculto apontar ligação entre empresas investigadas, grupo Master e esquema envolvendo precatórios
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que os recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, podem ter origem no crime organizado.
A declaração ocorreu após informações divulgadas na terceira fase da Operação Carbono Oculto apontarem uma conexão entre a chamada máfia dos combustíveis e o esquema envolvendo o grupo Master e precatórios. A operação investiga um conjunto de empresas suspeitas de movimentar recursos de origem ilícita e ocultar patrimônio.
Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos.
A empresa foi citada por Durigan porque teria intermediado pagamentos relacionados à produção de Dark Horse. Segundo o ministro, a Entre Investimentos recebeu recursos tanto do grupo Master quanto de organizações criminosas, o que dificultaria identificar a origem específica do dinheiro utilizado em determinadas operações.
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações [Dark Horse] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”, afirmou Durigan.
Segundo ele, recursos de diferentes origens poderiam ter sido reunidos em um mesmo fundo ou estrutura financeira, dificultando a identificação de quais valores foram destinados a cada operação.
“Se tem dinheiro do PCC, se tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo”, declarou.
A Polícia Federal já havia identificado, em outra fase da Operação Carbono Oculto, uma conexão da Entre Investimentos com o crime organizado. A nova etapa da investigação ampliou as apurações sobre a circulação dos recursos e possíveis vínculos entre diferentes grupos e empresas.
Durigan também afirmou que o grupo Entre teria funcionado como um importante receptor de recursos, permitindo operações relacionadas à corrupção de autoridades. O ministro, no entanto, disse que a investigação sobre a origem do dinheiro utilizado especificamente no financiamento do filme deve ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pelo caso.
“Isso acho que as autoridades vão poder esclarecer. Não é um tema que nós vamos tratar do ponto de vista do Ministério da Fazenda”, afirmou.
O filme Dark Horse retrata a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro. A produção passou a ser citada nas investigações após a Entre Investimentos aparecer como empresa que teria intermediado pagamentos relacionados ao projeto.
Até o momento, a declaração de Durigan aponta uma possibilidade levantada a partir das informações da investigação, e não uma conclusão definitiva de que os recursos destinados ao filme tenham origem criminosa.
Fonte: Fatos Marcantes com informações da TV Globo
Foto: CBIC




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