Manaus sufoca sob fumaça: poluição chega a 736% acima do teto da faixa moderada, mesmo após reforço aéreo

Concentração de partículas chegou a 418 µg/m³ em pontos da capital neste sábado (17); baixa visibilidade limita operações de aviões enviados para combater incêndios
Manaus amanheceu encoberta por fumaça neste sábado (17), com concentração de partículas finas chegando a 418 microgramas por metro cúbico de ar em pontos monitorados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). O valor é 736% superior ao teto de 50 µg/m³ da faixa considerada moderada.
As medições representam pontos específicos da capital, não uma média de toda a cidade. A referência de 50 µg/m³ também não corresponde a uma condição ideal de qualidade do ar: é o limite superior da faixa moderada.
Sob a fumaça, moradores pedem socorro e cobram reforço no combate aos incêndios. Em um dos relatos registrados, uma moradora descreve o avanço do fogo e a dificuldade das equipes para atender às ocorrências.
“Tá precisando de ajuda aqui, gente. Vocês não estão vendo que está pegando fogo? Os brigadistas não estão mais conseguindo dar conta. Todo mundo está pedindo socorro”, afirma.
A cobrança também envolve os equipamentos enviados ao Amazonas. Neste sábado, a equipe do Portal Fatos Marcantes voltou ao aeroporto de Ponta Pelada, na Zona Sul de Manaus, e registrou novamente aeronaves estacionadas em meio à baixa visibilidade.
Na quarta-feira (14), a reportagem já havia mostrado seis aviões no pátio. Na ocasião, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo Filho, informou que a falta de visibilidade impedia as decolagens naquele momento.
Um representante da fabricante das aeronaves ouvido pela reportagem também explicou que etapas das operações dependem de referências visuais. A fumaça limita, portanto, o uso dos aviões enviados para enfrentar os incêndios. Os registros no solo não significam que as aeronaves tenham permanecido sem operar durante todo o período.
A persistência da poluição, mesmo após a chegada do reforço, mantém a cobrança por resultados e levanta questionamentos sobre o tempo de resposta à emergência. A presença dos equipamentos, por si só, não demonstra que o combate seja suficiente para acompanhar o avanço dos incêndios.
O cenário exige uma avaliação das necessidades de reforço em terra e das condições de emprego das aeronaves, além da possibilidade de cooperação internacional. Mais brigadistas e equipamentos precisam integrar uma resposta compatível com a dimensão da crise.
A investigação de possíveis incêndios criminosos também é necessária, mas não substitui o atendimento à emergência. Enquanto as responsabilidades são apuradas, moradores de Manaus e do interior continuam expostos à fumaça e à espera de medidas que reduzam a poluição.
Assista ao vídeo completo.
foto: Chico Batata




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