Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais três poços na Foz do Amazonas

Novas perfurações devem ajudar a avaliar se descoberta de petróleo na região é comercialmente viável; MPF questiona informações sobre duração e impactos do projeto
O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (3) pelo presidente do órgão, Jair Schmitt, e faz parte da estratégia da estatal para avaliar o potencial de petróleo na região.
Os novos poços são considerados importantes para determinar se a descoberta de petróleo feita recentemente pela Petrobras no bloco FZA-M-59 tem viabilidade comercial. A estatal havia protocolado o pedido de autorização junto ao Ibama em agosto. A informação foi divulgada pela Agência Reuters.
A autorização estabelece que a Petrobras deverá apresentar ao Ibama um cronograma atualizado do projeto de perfuração em até 30 dias após o recebimento da licença.
A nova etapa amplia a atuação da Petrobras na chamada Margem Equatorial. No primeiro poço perfurado no bloco 59, a empresa encontrou indícios de petróleo, resultado que aumentou as expectativas sobre o potencial da região para exploração de óleo e gás.
A atividade, no entanto, é acompanhada por questionamentos ambientais. O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Ibama esclarecimentos sobre divergências encontradas nas informações apresentadas pelo órgão durante o processo de licenciamento.
Segundo o MPF, representantes do Ibama afirmaram, em uma audiência realizada em abril de 2025, que a atividade seria pontual e teria duração aproximada de seis meses. Em resposta posterior ao Ministério Público, porém, o instituto informou que o projeto prevê uma campanha de perfuração de quatro poços, com atividades previstas entre 2025 e 2029.
Para o MPF, a diferença entre as informações dificulta a avaliação dos impactos ambientais e a transparência do processo. O órgão também alerta que uma operação prolongada pode gerar impactos acumulados na região.
Entre os possíveis efeitos estão alterações na fauna marinha, impactos sobre a pesca artesanal e consequências para o modo de vida de comunidades tradicionais. O MPF quer que o Ibama explique as diferenças entre as informações apresentadas e detalhe o planejamento da atividade.
A autorização dos três novos poços ocorre, portanto, em meio ao avanço das pesquisas sobre o potencial petrolífero da Foz do Amazonas e à continuidade das discussões sobre os possíveis impactos ambientais da exploração na região.




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