Conflito no Oriente Médio freia economia global e melhora projeção do Brasil para 1,9%

Disparada do petróleo pressiona inflação no mundo, enquanto exportações favorecem desempenho brasileiro
O avanço da guerra no Oriente Médio já começa a impactar diretamente a economia mundial. Novo relatório do Fundo Monetário Internacional aponta que o crescimento global deve desacelerar para 2,5% em 2026, diante das incertezas no fornecimento de energia.
A estimativa considera os efeitos das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm pressionado o mercado internacional de petróleo. Em um cenário mais otimista, com menor duração do conflito, o crescimento poderia chegar a 3,1%.
Para o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, o risco é de agravamento do cenário. “Quanto mais prolongadas forem as interrupções no fornecimento de energia, maior a probabilidade de um ambiente econômico adverso”, afirmou.
O aumento no preço do petróleo é apontado como o principal canal de impacto. A alta da commodity tende a elevar a inflação global e dificultar a redução dos juros, o que pode frear investimentos e consumo em vários países.
No caso do Brasil, o efeito é diferente. O FMI revisou para cima a previsão de crescimento do país, agora estimada em 1,9% em 2026. O resultado leva em conta o fato de o país ser exportador de petróleo, o que pode gerar ganhos com a valorização do produto no mercado internacional.
Segundo o relatório, esse fator pode adicionar cerca de 0,2 ponto percentual ao crescimento da economia brasileira.
Apesar da melhora, o ritmo ainda é inferior ao registrado em 2025, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A projeção do Fundo também fica acima da estimativa do Banco Central do Brasil, que prevê crescimento de 1,6%, e próxima da expectativa do mercado financeiro.
Para 2027, a previsão foi ajustada para 2%, refletindo um ambiente global mais restritivo, com crédito mais caro e menor demanda internacional.
O relatório destaca ainda que o Brasil possui condições de absorver parte dos impactos externos, com base em fatores como reservas internacionais, menor dependência de dívida externa e taxa de câmbio flexível.
No cenário global, o alerta é de que a continuidade do conflito pode intensificar pressões inflacionárias e apertar ainda mais as condições financeiras.
Com Informações da Reuters.




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