Comandante Dan considera que as decisões sobre o desenvolvimento e a preservação da Amazônia precisam atender aos princípios legais e aos interesses da população local

Após 21 dias em viagem fluvial na calha do rio Solimões, o deputado estadual Comandante Dan (Podemos) esteve presente no domingo (3) nas cidades de Santa Izabel do Rio Negro e Barcelos, distantes de Manaus 630 km e 405 km de Manaus, respectivamente. O parlamentar concentrou as atividades naqueles municípios em reuniões com as lideranças locais do segmento de pesca e com as forças de segurança pública ali residentes. Nesta segunda-feira (4), a viagem à calha do rio Negro prossegue, com visita à cidade de São Gabriel da Cachoeira, a 856 km da capital. Na terça-feira (5), o deputado deverá ser fazer presente à retomada dos trabalhos para o segundo semestre na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Comandante Dan comentou que os interiores amazonenses, embora com problemas muito semelhantes, ligados à qualidade de vida da população e ao desenvolvimento socioeconômico, ao mesmo tempo têm peculiaridades que devem ser respeitadas:
“Durante o recesso, estive nas calhas do rio Juruá, do Purus e do Madeira, isso muito rapidamente. Passei mais de 20 dias embarcado na calha do Solimões, visitando todos os municípios, presente em 42 comunidades rurais. E agora estou na calha do rio Negro. Aqui, também registramos problemas de falta de acesso à água potável, de comprometimento dos recursos hídricos pelo garimpo ilegal de ouro e a contaminação do mercúrio, mas as questões relacionadas à segurança pública são bastante distintas. Também temos uma robusta população indígena na região e um forte movimento econômico aliado à preservação ambiental, que é o da pesca desportiva, hoje o principal polo do país. Tudo isso precisa ser pensado para que as ações dos executivos, nas diferentes esferas, não se conflitem com os interesses reais do povo da região.”
O Amazonas registrou em 2024 mais de 13 mil casos de malária. Santa Isabel do Rio Negro tem uma alta incidência da doença, sendo um dos municípios do Amazonas com mais casos registrados. A cidade, junto com São Gabriel da Cachoeira e Barcelos, concentra uma parcela significativa dos casos no estado, especialmente na região do Alto Rio Negro. Em 2018, a situação foi considerada tão grave que um decreto de emergência foi emitido para esses três municípios, devido ao aumento brusco e significativo de casos.
A questão da segurança pública também preocupa, em razão das organizações criminosas que avançam a partir da faixa de fronteira com a Colômbia e a Venezuela. O deputado diz que a situação requer atenção:
“Embora tenhamos números muito mais expressivos para o narcotráfico e a pirataria na calha do Solimões, já começam a aparecer ocorrências na região do Negro, o que é muito preocupante, tanto pela expressiva presença dos povos originários, que já tiveram terras invadidas pelo narcogarimpo, quanto pela presença do polo turístico de pesca desportiva em Barcelos, hoje a atividade que mais gera trabalho e renda à população daquele município. Uma ocorrência envolvendo uma embarcação de turistas poderia se transformar numa exposição internacional altamente negativa, e derrubar em meses um trabalho que levou mais de uma década para ser construído”.
Segundo informações colhidas pela equipe do parlamentar, Santa Izabel do Rio Negro possui seis policiais militares, um delegado, um escrivão e quatro investigadores, realidade que não é distante daquela enfrentada pelos moradores de Barcelos, segundo o Comandante:
“Se unimos as três cidades da calha do médio e alto rio Negro, não chegaremos a 200 policiais militares e não teremos lanchas, nem combustível para fazer o patrulhamento fluvial. Precisamos de um plano de ação estratégica para conter o avanço do crime organizado na região, um plano que inclua as bases fluviais criadas pelo governo do estado e que qualifique a segurança, tanto tecnologicamente, quando na mobilidade aquática, além de efetivo”.
Durante a passagem por Barcelos, o deputado ouviu dos representantes do segmento da pesca e do prefeito a preocupação com a possibilidade da demarcação de grande parte do território do município como terra indígena:
“A demarcação de terras indígenas na região de Barcelos está gerando preocupações sobre o futuro da pesca esportiva na área, um importante setor econômico e ambiental do município, já que eles devolvem as matrizes de tucunaré aos rios. A demarcação pode afetar até 85% do território do município e impactar 40 segmentos da economia local, entre eles a pesca esportiva. Eis aí uma situação complexa, que envolve uma garantia constitucional, a demarcação de terras indígenas, mas que precisa de uma discussão que seja, inclusive, democrática. Um trabalho e um grande desafio para a representação do Amazonas no Congresso Nacional e também ao Governador Wilson Lima”.
Fonte: Ascom Dan Câmara
Foto: Divulgação




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