Após três incentivos fiscais em menos de uma semana, combustíveis seguem em alta em Manaus e ampliam distância entre discurso político e preço na bomba

O novo aumento no preço dos combustíveis em Manaus reforça a pressão sobre o consumidor e evidencia um cenário que se repete: medidas anunciadas como alívio não se traduzem em redução efetiva nos postos. Neste fim de semana, a gasolina comum foi encontrada a R$ 7,59, enquanto o diesel também aparece no mesmo patamar na capital.
A alta ocorre justamente em um contexto de sucessivos incentivos ao setor. Nos últimos dias, o governo federal promoveu a redução e até a zeragem de tributos como PIS e Cofins — medidas amplamente divulgadas como forma de conter preços. No entanto, antes mesmo de qualquer impacto perceptível ao consumidor, um novo benefício foi colocado em prática.
Foi regulamentado o Processo Produtivo Básico (PPB) dos combustíveis na Zona Franca de Manaus, permitindo que derivados de petróleo produzidos na região tenham acesso a incentivos fiscais. Trata-se do terceiro estímulo ao setor em menos de uma semana.
O tema ganhou repercussão política após questionamento direto sobre o preço dos combustíveis. Ao responder, o senador Eduardo Braga optou por iniciar com um ponto que sequer havia sido levantado na pergunta, destacando justamente o novo incentivo recém-publicado.
“Eu vou começar pela coisa que você não perguntou. Ontem foi publicado o PPB, Processo Produtivo Básico, para que a refinaria de Manaus possa produzir derivados de petróleo com benefícios fiscais.”
A resposta, ao trazer um terceiro incentivo além dos já conhecidos, ampliou a percepção de um ciclo contínuo de benefícios ao setor — sem reflexo imediato para o consumidor. Na sequência, o senador reforçou que os derivados passarão a contar com vantagens fiscais vinculadas ao Polo Industrial de Manaus.
“Isso significa dizer que, independentemente da vontade do governador de plantão, a gasolina, o diesel, a nafta e o querosene de aviação terão benefício fiscal, porque fazem parte do Polo Industrial de Manaus.”
O argumento central, segundo ele, não está na redução imediata dos preços, mas no impacto econômico mais amplo.
“Isso não viabiliza apenas baixar o preço da gasolina aqui no Amazonas. Isso viabiliza voltar a gerar emprego e renda em um setor que representa 25% do PIB amazonense.”
Na prática, porém, o cenário observado nas ruas segue em direção oposta. Mesmo após a sequência de incentivos — incluindo a desoneração de tributos federais — os preços continuam em alta, sem que o consumidor perceba qualquer redução nas bombas.
Motoristas relatam aumentos frequentes e simultâneos entre postos, além de dificuldade em compreender por que medidas anunciadas como benefício ao setor não se refletem no valor final pago.
Órgãos de defesa do consumidor destacam que o mercado de combustíveis opera sob regime de livre concorrência, o que impede o controle direto de preços. Ainda assim, os reajustes podem e devem ser acompanhados para verificar compatibilidade com custos e evitar distorções.
O que se evidencia é um descompasso crescente: enquanto, no campo político, sucessivos incentivos são apresentados como avanços estruturais e comemorados como estímulo à economia, no cotidiano, o consumidor segue arcando com preços elevados — sem acesso concreto aos efeitos dessas medidas.
Com a gasolina se aproximando de R$ 8 em Manaus, a repetição desse modelo — mais incentivos, sem redução perceptível — recoloca no centro do debate a efetividade das políticas adotadas e quem, de fato, tem se beneficiado delas.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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