Norte tem maior proporção de trabalho infantil no Brasil, aponta IBGE

País registrou 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa situação em 2025, mas número caiu 9,2% em relação ao ano anterior
O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população nessa faixa etária. Na comparação regional, a Região Norte apresentou a maior proporção de trabalho infantil do país, com 6,3% desse grupo etário nessa condição. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do cenário regional, o levantamento aponta uma redução nacional de 9,2% em relação a 2024, quando 1,65 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil. Na comparação com 2016, quando o país registrava 2,1 milhões de pessoas nessa condição, a queda chegou a 28,6%.
Embora o Sudeste concentrasse o maior número absoluto de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil pessoas em 2025, o Norte apresentou a maior proporção em relação à população de 5 a 17 anos. O Nordeste apareceu em segundo lugar em número absoluto, com 408 mil crianças e adolescentes nessa condição, e também registrou as maiores reduções no contingente em comparação com 2016 (-45,6%) e 2022 (-29,2%).
O IBGE considera trabalho infantil as atividades econômicas remuneradas ou destinadas ao autoconsumo realizadas por crianças de até 13 anos. Para adolescentes de 14 e 15 anos, somente é permitido o trabalho na condição de aprendiz. Aos 16 e 17 anos, o trabalho é autorizado, desde que respeite as regras legais, com restrições a atividades perigosas, insalubres e noturnas.
Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, diferentes fatores podem ter contribuído para a redução registrada em 2025, entre eles políticas públicas de transferência de renda, aumento dos rendimentos familiares e melhora no mercado de trabalho.
“Existem políticas públicas, inclusive do próprio Ministério Público do Trabalho, voltadas para isso [lidar com o trabalho infantil]. O próprio Bolsa Família pode ter contribuído, ao garantir uma renda mínima para essas famílias, para essa queda”, explicou Fontes.
O levantamento também aponta oscilações nos últimos anos. Entre 2016 e 2019, houve redução de 15,7%. Em 2022, o indicador voltou a crescer, com alta de 7%, e caiu 14,7% entre 2022 e 2023. De 2023 para 2024, houve novo aumento, de 2,1%.
Entre as 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 525 mil estavam em ocupações consideradas piores formas de trabalho infantil. A classificação inclui atividades que oferecem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento físico e psicológico, além de situações como exploração sexual, escravidão e tráfico de drogas.
Esse grupo representava 1,4% da população de 5 a 17 anos em 2025, o menor percentual da série apresentada pelo IBGE. Em 2024, eram 560 mil pessoas, ou 1,5% dessa faixa etária. Em 2016, o número chegava a 919 mil, o equivalente a 2,3%.
A incidência do trabalho infantil aumenta conforme a faixa etária. Entre crianças de 5 a 13 anos, 280 mil estavam nessa situação em 2025, correspondendo a 1,1% da população desse grupo. Na faixa de 14 e 15 anos, eram 348 mil pessoas, ou 5,9% do total. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, o número chegou a 871 mil, equivalente a 14,5% da população nessa idade.
A pesquisa também identificou jornadas prolongadas. Em 36,3% dos casos de trabalho infantil, a carga horária ultrapassava 25 horas semanais. Em 21,4%, chegava a 40 horas ou mais. A situação era mais frequente entre adolescentes de 16 e 17 anos: 49,6% trabalhavam 25 horas ou mais por semana, enquanto 29,6% cumpriam jornadas de pelo menos 40 horas.
O levantamento identificou ainda diferenças por sexo e cor ou raça. Os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, enquanto as meninas correspondiam a 34,6%. Pretos e pardos somavam 67% desse grupo, embora representassem 59,7% da população brasileira de 5 a 17 anos. Já as pessoas brancas correspondiam a 32% dos casos, apesar de representarem 39,5% da população nessa faixa etária.
A frequência escolar também apresentou diferenças entre crianças e adolescentes que trabalham e o conjunto da população. Entre aqueles de 5 a 13 anos em situação de trabalho infantil, 99,7% frequentavam a escola. Na faixa de 14 e 15 anos, a frequência era de 95%, abaixo dos 98,1% registrados para a população total da mesma idade. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, 79,6% frequentavam a escola, ante 89,6% do total dessa faixa etária.
Entre os adolescentes de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil, 67% estavam na informalidade em 2025. Apesar do percentual elevado, esse foi o menor índice da série histórica. Em 2024, a taxa era de 69,4%, enquanto em 2022 chegava a 76,3%.
As atividades com maior participação de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil eram o comércio, com 29%, e outras atividades, com 23,1%. A agricultura e a pecuária respondiam por 16,7%, seguidas pela indústria geral, com 12,5%, pelo setor de alojamento e alimentação, com 12,2%, e pelos serviços domésticos, com 6,5%.
O IBGE também analisou as tarefas domésticas não remuneradas e os cuidados de pessoas realizados por crianças e adolescentes. Essas atividades, quando feitas no próprio domicílio, não são classificadas como trabalho infantil pela pesquisa.
Entre os 37,8 milhões de brasileiros de 5 a 17 anos, 15,9 milhões, ou 42,1%, realizavam algum trabalho doméstico não remunerado ou cuidavam de outras pessoas. A proporção era maior entre as meninas, com 47,9%, ante 36,6% entre os meninos. O percentual também aumentava conforme a idade, passando de 32,7% entre crianças de 5 a 13 anos para 60,7% na faixa de 14 e 15 anos e 64,6% entre adolescentes de 16 e 17 anos.
Fonte: Fatos Marcantes com Informações da Agencia Brasil
Foto: Divulgação




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