Zuldy Bonates é exonerado após cerimônia de transição na Habitação não se concretizar e Renato Júnior nomeia Júnior Nunes

A troca no comando da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf) acabou se tornando o principal símbolo do novo ciclo de mudanças promovido pelo prefeito Renato Júnior na Prefeitura de Manaus. Mais do que uma simples exoneração, o movimento revela uma reconfiguração política dentro da gestão.
Há cerca de duas semanas, o então secretário Jesus Alves deixou o cargo em uma transição que chamou atenção: durante uma cerimônia, o “repasse de colete” para Zuldy Bonates indicava que ele assumiria a secretaria de forma definitiva. O gesto foi interpretado como continuidade dentro da pasta, sinalizando estabilidade na condução da Habitação.
No entanto, o cenário mudou rapidamente. Com a chegada de Renato Júnior ao comando da Prefeitura, a expectativa não se confirmou. O Diário Oficial publicado nesta sexta-feira (3) mostrou uma realidade completamente diferente: Zuldy Bonates foi exonerado da função e não permaneceu na estrutura da secretaria.
Para o lugar, foi nomeado Júnior Nunes, consolidando uma nova direção na pasta e desmontando, na prática, a transição que havia sido sinalizada dias antes.
A mudança também evidencia o peso das articulações políticas neste momento pré-eleitoral. Em conversa, Zuldy Bonates confirmou que sua saída está diretamente ligada a esse contexto e ao reposicionamento partidário dentro da gestão.
“Saio da secretaria e me encaminho para as fileiras do MDB para a eleição do senador Eduardo Braga para o Senado e do Jesus Alves para deputado federal. Saio mediante decisão do prefeito Renato Jr de tirar a secretaria do MDB do arco de aliança da Prefeitura de Manaus”, afirmou.
A declaração reforça que a mudança vai além da gestão administrativa e entra no campo político, indicando rearranjos de alianças às vésperas do processo eleitoral de 2026.
No mesmo pacote de alterações, outras secretarias também passaram por mudanças. Na Saúde, houve troca no comando, com a saída de Shádia Fraxe e a nomeação de Nagib José Neto. Na Cultura, Jender Lobato deixou a presidência da Manauscult, sendo substituído por Márcio Braz.
Apesar das mudanças em diferentes áreas, é na Habitação que o impacto político se mostra mais evidente, sobretudo pela rapidez com que a transição anterior foi desfeita — um exemplo de como movimentos sinalizados no ambiente político nem sempre se consolidam na prática administrativa.




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