Quatro nomes entram no radar da presidência da CMM, e escolha testa articulação de Renato Júnior
Jander Lobato e Gilmar Nascimento aparecem entre os favoritos nos bastidores; saída de dois aliados para a Assembleia obriga prefeito a reorganizar sua base
A eleição para a presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM), prevista para o início de dezembro, coloca quatro nomes nas conversas de bastidores: Jander Lobato (PSD), Gilmar Nascimento (Avante), Joelson Silva (Avante) e Mitoso (MDB). A escolha da Mesa Diretora para o biênio 2027–2028 também será um teste da capacidade de articulação do prefeito Renato Júnior, que precisará reorganizar sua sustentação no Legislativo.
Com David Reis e Eduardo Alfaia, ambos do Avante, eleitos deputados estaduais, o prefeito perderá na Câmara dois aliados em posições estratégicas: o atual presidente da Casa e o líder do Executivo municipal. A mudança exigirá negociações tanto para o comando do Legislativo quanto para a liderança responsável por defender e encaminhar as pautas da Prefeitura.
Nos bastidores, aliados relatam que aguardam uma conversa com Renato Júnior para definir o nome que receberá seu apoio. A expectativa nesse grupo é que a indicação concentre votos e encaminhe a sucessão. Essa avaliação, porém, ainda depende de um acordo entre os vereadores: a eleição pertence ao plenário, e apoio do prefeito não substitui maioria.
Jander reúne experiência na Mesa e proximidade com o prefeito
Primeiro vice-presidente da CMM, Jander Lobato tem a seu favor a experiência na condução das sessões e o conhecimento da rotina do plenário. Ao substituir o presidente nos trabalhos legislativos, ganhou espaço em uma função que exige negociação e administração de divergências.
A isso se soma sua relação política com o Executivo. Aliado na gestão de David Almeida e alinhado a Renato Júnior, Jander aparece, no cenário relatado nos bastidores, entre os principais nomes para a sucessão.
Seu desafio será transformar proximidade com o prefeito e experiência na Mesa em apoio dos colegas. A vice-presidência lhe dá visibilidade e familiaridade com o cargo, mas não assegura uma promoção automática à presidência.
Gilmar tem força na CCJR, mas sua saída exigiria outra composição
Gilmar Nascimento reúne experiência parlamentar e ocupa um dos espaços mais relevantes da Câmara: a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), responsável pela análise da constitucionalidade e da legalidade das propostas. Também integra a Mesa como corregedor-geral.
A função lhe dá conhecimento das matérias e contato frequente com vereadores e representantes do Executivo. É um patrimônio político que ajuda a explicar sua presença entre os favoritos mencionados nas articulações.
Sua importância na comissão, entretanto, também pode pesar a favor de sua permanência. Uma eventual ida para a presidência da Câmara colocaria outra questão na negociação: quem comandaria a CCJR?
Nas conversas relatadas, ainda não aparece um substituto consensual que reúna experiência e confiança política do grupo governista. Isso não significa que faltem vereadores capazes de exercer a função, mas que a escolha de Gilmar exigiria uma composição adicional. Para o prefeito, a decisão envolve avaliar onde o aliado será mais útil.
Joelson tem a experiência de quem já comandou a Casa
Joelson Silva apresenta um diferencial concreto: presidiu a CMM no biênio 2019–2020. Conhece, portanto, as responsabilidades administrativas e políticas do cargo, além da condução das sessões.
Filiado ao Avante, seu nome integra as conversas sobre a sucessão. A passagem anterior pela presidência pode favorecer uma candidatura, mas Joelson precisará demonstrar que essa experiência ainda se traduz em capacidade de reunir apoios na atual composição da Câmara.
Ser lembrado como alternativa é um primeiro passo. Consolidar uma candidatura depende de espaço na negociação e de votos.
Mitoso busca transformar interesse em apoio
Mitoso, do MDB, partido do senador Eduardo Braga, também é citado nos bastidores. Sua presença amplia as possibilidades de composição para além dos nomes do Avante e de Jander Lobato.
O obstáculo, conforme o cenário relatado, é a ausência de uma maioria articulada em torno de seu nome. A ligação partidária pode abrir canais de negociação, mas não permite presumir apoio de Eduardo Braga à candidatura nem adesão automática de outros vereadores.
Para avançar, Mitoso precisaria converter o interesse pela presidência em compromissos de voto e demonstrar condições de construir uma composição competitiva.
A votação antecede a chegada dos substitutos
O Regimento Interno prevê a eleição da Mesa na primeira reunião ordinária de dezembro do segundo ano da legislatura. A escolha ocorre, portanto, antes da saída prevista dos vereadores que assumirão mandatos na Assembleia Legislativa em 2027.
Quem participa é quem estiver no exercício do mandato na data da eleição. Os suplentes que só assumirem posteriormente não poderão votar nem disputar essa escolha. A condição decisiva é a posse: não se trata de uma proibição permanente aos novos integrantes.
Mantido esse calendário e sem antecipação das saídas, os vereadores eleitos deputados ainda participarão da definição do comando de uma Câmara que deixarão semanas depois.
Presidência também ganha peso na Prefeitura
A disputa tem uma dimensão adicional porque Manaus está sem vice-prefeito desde que Renato Júnior assumiu o Executivo após a renúncia de David Almeida.
O próximo presidente da CMM não se tornará vice-prefeito. Pela linha de substituição prevista na Lei Orgânica, porém, poderá exercer temporariamente o comando da Prefeitura nos impedimentos do titular.
Essa responsabilidade ajuda a explicar o interesse de Renato Júnior na escolha. O prefeito busca um interlocutor para conduzir sua relação com os vereadores e alguém que poderá substituí-lo no Executivo.
Para a Câmara, o desafio é preservar sua autonomia nessa negociação. A proximidade com o prefeito pode facilitar o diálogo, mas o futuro presidente também terá de garantir espaço à oposição, conduzir votações com transparência e assegurar a fiscalização da administração municipal. É esse equilíbrio que deverá ser cobrado de quem assumir.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação
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