Desembargador do TRT-11 quebra a formalidade e conduz sessões com bom humor
Audaliphal Hildebrando da Silva está há 14 anos no cargo de desembargador e intercala a formalidade dos julgamentos com uma condução mais leve e bem-humorada
Toga, processos, votos e a formalidade própria de um tribunal. Nas sessões da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), porém, o desembargador Audaliphal Hildebrando da Silva costuma abrir espaço para momentos de descontração entre um julgamento e outro.
Ex-presidente da Corte e atualmente presidente da 3ª Turma, Audaliphal conduz os trabalhos com bom humor, cordialidade e comentários espontâneos. São momentos rápidos, que não interferem no andamento dos julgamentos, mas ajudam a deixar o ambiente menos formal.
Na abertura de uma sessão realizada em 23 de julho, por exemplo, começou pelos cumprimentos formais. Ao chegar à desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, acrescentou:
“Está linda como essa manhã de sol.”
Logo depois, ao cumprimentar o desembargador José Dantas de Góes, Audaliphal fez um comentário descontraído sobre a satisfação do colega com uma vitória esportiva e, diante do placar de 4 a 0, reagiu:
“Ninguém merece.”
O procurador regional do Trabalho Fernão Pinaud de Oliveira Júnior também participou de uma breve conversa descontraída antes do início dos julgamentos.
Uma semana depois, em sessão realizada em 30 de julho, o roteiro se repetiu.
Ao cumprimentar Ruth Barbosa Sampaio, disse que a desembargadora estava “cada dia mais nova e mais bela”. Maria de Fátima Neves Lopes foi apresentada como uma pessoa por quem afirmou ter “a maior admiração”.
Quando chegou a vez do desembargador José Dantas de Góes, Audaliphal voltou a recorrer ao bom humor durante os cumprimentos:
“Homem virtuoso, exceto por ser flamenguista.”
E completou:
“Vai perder para o Palmeiras de novo.”
Até a leitura bíblica rendeu um momento de descontração. Depois de Ruth Barbosa Sampaio recitar trechos do Salmo 91, Audaliphal reagiu espontaneamente:
“Esse salmo é lindo”
Em outro julgamento, o advogado Manuel Romão da Silva foi recebido de forma cordial e descontraída. Antes do início da análise do processo, Audaliphal destacou a longa trajetória profissional do advogado e promoveu uma breve conversa em tom amistoso, sem interferir na sequência do julgamento.
O episódio reforçou uma característica que aparece com frequência nas sessões: a tentativa de tornar o ambiente mais leve, mesmo diante da formalidade própria do Judiciário.
Os momentos de descontração são intercalados com a condução dos processos. Encerrados os comentários, os casos são chamados, os votos apresentados e os julgamentos seguem o rito normal da Justiça do Trabalho.
Do Exército ao Tribunal
A trajetória de Audaliphal Hildebrando da Silva passa por diferentes áreas do serviço público. Formado em Direito e Letras, ele também teve carreira militar no Exército Brasileiro, chegando ao posto de tenente-coronel.
Posteriormente, ingressou no Ministério Público do Trabalho, onde chegou a exercer a chefia da Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região por quatro mandatos consecutivos.
Em 22 de junho de 2012, tomou posse como desembargador do TRT-11, ocupando uma das vagas destinadas ao Ministério Público pelo quinto constitucional.
Na Corte, foi corregedor e ouvidor entre 2016 e 2018, comandou a Escola Judicial em dois biênios e chegou à Presidência do tribunal para o período de 2022 a 2024.
Em agosto de 2026, Audaliphal soma 14 anos de atuação como desembargador e preside a 3ª Turma do TRT-11.
A experiência acumulada em diferentes funções contrasta com a informalidade de determinados momentos das sessões. Entre processos de elevada responsabilidade e discussões jurídicas, o desembargador mantém um estilo próprio de condução, com espaço para comentários espontâneos e momentos de descontração.
Uma postura que ajuda a afastar a imagem tradicional do magistrado permanentemente sério e distante, sem retirar dos julgamentos a formalidade e a responsabilidade exigidas pelas decisões do colegiado.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação
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