Cartão-postal encoberto pela fumaça expõe a falta de resultados contra queimadas no Amazonas
Ponte Rio Negro desaparece no horizonte pela sexta vez em menos de um mês; moradores enfrentam o ar pesado enquanto cobram prevenção e fiscalização
Em um dia de boa qualidade do ar, a Ponte Rio Negro chama a atenção no horizonte de Manaus. Agora, vista de um ângulo semelhante, o cartão-postal da capital desaparece em meio à fumaça.
É a sexta vez em menos de um mês que a cidade enfrenta uma situação assim. Para quem vive aqui, o problema vai muito além da imagem. O ar pesa. Os olhos ardem. Respirar causa desconforto. Nesta quarta-feira (23), a prefeitura classificou a qualidade do ar como péssima. Escolas e faculdades suspenderam aulas.
A cena se repete há anos. E a pergunta também: o que foi feito para impedir que Manaus voltasse a respirar fumaça?
Em 2023, a Defensoria Pública chegou a pedir intervenção federal diante do avanço das queimadas. Neste mês, voltou à Justiça para cobrar o monitoramento dos incêndios e informações sobre as medidas adotadas. Se a cobrança é antiga e a fumaça continua chegando, falta mostrar resultados.
Segundo as autoridades, a fumaça vem principalmente de queimadas na Região Metropolitana de Manaus e no leste do Amazonas. Os municípios onde o fogo começa também precisam responder. Onde está a prevenção? Como é feita a fiscalização? Quem identifica e pune os responsáveis por queimadas irregulares ou provocadas de propósito? Apagar as chamas depois que o céu escurece não pode ser a única resposta.
A conta chega à saúde pública. A fumaça agrava problemas respiratórios e afeta especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças prévias. É preciso acompanhar também o impacto nos atendimentos e nas internações.
Nesta semana, os candidatos ao Governo do Amazonas tiveram a oportunidade de discutir essa emergência. O debate, porém, foi dominado por ataques entre adversários. Não saiu dali uma resposta efetiva para as queimadas que atingem o estado agora.
Também chama a atenção o silêncio de artistas que costumam se manifestar em defesa da Amazônia. Até agora, não se pronunciaram sobre a fumaça que voltou a encobrir Manaus.
Enquanto autoridades anunciam ações cujos resultados ainda não aparecem, candidatos trocam acusações e essas vozes permanecem ausentes, a população segue exposta à fumaça. A Ponte Rio Negro vai reaparecer quando o céu limpar. O que não pode desaparecer é a cobrança por resultados, antes que Manaus volte a sufocar nas próximas semanas, no próximo ano e nas próximas décadas.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Lúcio Távora/ Xinhua
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