Amazonense na guerra da Ucrânia reúne mais de 300 interessados em seguir o mesmo caminho
O amazonense Dimitri Alves, de 22 anos, natural de Carauari, no interior do Amazonas, deixou o Brasil para atuar diretamente na guerra da Ucrânia contra a Rússia e acabou se tornando referência para outros jovens brasileiros interessados em seguir carreira militar no exterior. Um grupo formado por ele no WhatsApp já são mais de 300 pessoas em se voluntariar para forças armadas fora do país.
Ex-integrante do Exército Brasileiro, onde serviu por um ano e três meses, Dimitri afirma que o desejo de seguir a vida militar vem desde a infância. “Desde pequeno eu sonhava em ter carreira militar. Eu não me via vivendo uma vida comum, de trabalhar de carteira assinada. Sempre pensei além”, afirmou em entrevista exclusiva.
Motivações além do dinheiro
Dimitri nega que a decisão de ir à Ucrânia tenha sido motivada por ganhos financeiros. Segundo ele, o principal fator foi a indignação com a invasão russa e o desejo de ajudar civis indefesos.
“Tem muita gente morrendo aqui, crianças, mulheres que não conseguem se defender. Eu não vim pelo dinheiro. Dinheiro é consequência. Eu vim, acima de tudo, para ajudar”, disse.
O amazonense integra a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, criada em 2022 para receber combatentes estrangeiros após o início da guerra.
Vivência no front
Atualmente em Kiev, capital do país, Dimitri esteve recentemente em Zaporizhia, uma das regiões mais afetadas pelos combates. Ele relata ter participado de missões no front e presenciado situações extremas, incluindo a perda de amigos próximos.
“A guerra não é esse conto de fadas que as pessoas contam. É um lugar horrível. Infelizmente perdi dois amigos muito próximos”, relatou.
O voluntário confirmou que já esteve em confronto direto. “Já trocamos tiros. Teve um subordinado meu ferido por estilhaços de granada e tivemos que retirar o grupo da missão”, contou.
Relação com a família
A decisão de ir para a guerra, segundo Dimitri, não foi aceita de imediato pelos pais.
“No início eles não concordaram, sempre foram muito apegados a mim. Eu até disse que não viria, para deixá-los mais tranquilos. Mas quando é algo que você quer de verdade, você vai fazer”, afirmou.
Com o tempo, a relação melhorou. “Hoje a comunicação está melhor, eles estão mais tranquilos”, completou.
Referência para outros jovens
A atuação na Ucrânia e os relatos nas redes sociais transformaram Dimitri em referência para outros brasileiros. Ele afirma que já coordena um grupo com mais de 300 pessoas, onde compartilha informações e orientações.
“É muito gratificante saber que eu estou ajudando outras pessoas a seguir o mesmo caminho. Mesmo sendo jovem, eu passo a realidade por trás disso”, disse.
Segundo ele, muitos jovens o procuram em busca de alternativas profissionais fora do Brasil. Dimitri orienta desde documentação até os riscos reais envolvidos.
Mensagem final
Ao final da entrevista, Dimitri deixou um recado direto aos que acompanham sua trajetória.
“Não existe sonho impossível. O que existe é um preço alto a ser pago. E esse preço, muitas vezes, é pago com sacrifício”, afirmou.
Ele também pediu respeito à sua decisão. “Eu não quero que entendam os meus motivos. Eu só quero que respeitem. Eu estou aqui para salvar vidas. A Ucrânia é um país que não merece ser atacado”, concluiu.
A entrevista completa com Dimitri Alves vai ao ar com exclusividade no Fatos Marcantes e na Rede Tiradentes, trazendo mais detalhes sobre a rotina no front, os riscos da guerra e o impacto da decisão que atravessou fronteiras e passou a influenciar outros jovens brasileiros.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação
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