Um ano depois, problemas denunciados por Comandante Dan na caravana do Rio Solimões continuam sem solução

Um ano após percorrer 21 municípios e 42 comunidades rurais, parlamentar afirma que população segue enfrentando falta de água potável, insegurança, precariedade dos serviços públicos e isolamento
Às vésperas de completar um ano da caravana fluvial realizada pela calha do Rio Solimões, o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) avalia que os principais problemas identificados durante a expedição permanecem praticamente inalterados, evidenciando a ausência de respostas estruturantes do poder público para uma das regiões mais importantes e populosas do Amazonas.
Entre julho e agosto de 2025, o parlamentar percorreu de barco o Rio Solimões, visitando os 21 municípios localizados às suas margens e 42 comunidades rurais, em uma das maiores agendas de interiorização já realizadas por um deputado estadual no Amazonas. A iniciativa teve como objetivo prestar contas do mandato, ouvir diretamente a população e levantar subsídios para projetos de lei e indicações ao poder público.
Segundo Comandante Dan, a expectativa era de que as denúncias e os encaminhamentos produzissem avanços concretos, especialmente nas áreas de saneamento, segurança pública, infraestrutura e qualidade de vida. No entanto, a realidade encontrada um ano depois continua sendo marcada pelas mesmas dificuldades.
“Percorremos milhares de quilômetros para ouvir quem vive distante das capitais das decisões. Infelizmente, muitas das demandas continuam exatamente como estavam. Em vários locais, a população segue sem água potável, convivendo com a insegurança, com serviços públicos insuficientes e com a sensação de abandono. Isso demonstra que o interior ainda não recebeu a atenção que merece.”
Água potável continua sendo um dos maiores desafios
Entre todos os problemas identificados durante a caravana, a falta de acesso à água potável foi o mais recorrente.
O parlamentar relembra que dezenas de comunidades utilizavam água imprópria para consumo, inclusive em localidades que já possuíam poços artesianos, mas cuja perfuração inadequada comprometia a qualidade da água.
Meses depois da expedição, a crise de abastecimento registrada em Benjamin Constant reforçou o diagnóstico apresentado durante a viagem. Na ocasião, Comandante Dan voltou a denunciar que a ausência de água potável continua sendo uma realidade em grande parte da calha do Solimões e lembrou que essa situação havia sido identificada durante a caravana de 2025.
“É inadmissível que, em plena Amazônia, cercados por rios, milhares de pessoas ainda não tenham acesso regular à água própria para consumo. Essa deficiência compromete diretamente a saúde pública e a dignidade humana.”
Segurança pública permanece como preocupação permanente
Outro tema recorrente durante toda a viagem foi o avanço do narcotráfico e da pirataria fluvial.
Ao percorrer municípios localizados na faixa de fronteira e no principal corredor hidroviário utilizado pelo crime organizado, o deputado ouviu relatos de assaltos a embarcações, tráfico de drogas, medo constante das comunidades ribeirinhas e deficiência do policiamento ostensivo.
As constatações reforçaram a defesa da criação de uma estrutura permanente de policiamento aquaviário, com efetivo especializado, tecnologia e embarcações adequadas para patrulhamento dos rios amazônicos.
“Os rios são as nossas estradas. Sem presença efetiva do Estado, quem ocupa esses espaços são as organizações criminosas. Segurança pública na Amazônia exige estratégia fluvial permanente.”
Serviços públicos e infraestrutura seguem insuficientes
Ao longo da expedição, moradores também relataram dificuldades relacionadas ao atendimento de saúde, acesso à educação, transporte, logística, comunicação, regularização documental e apoio à produção rural e pesqueira.
Segundo Comandante Dan, embora cada município possua suas particularidades, há um conjunto de problemas estruturais comuns que continuam limitando o desenvolvimento da região.
Durante avaliação realizada após a viagem, o parlamentar destacou que as deficiências de acesso à água potável, os impactos ambientais, a insegurança e as limitações da infraestrutura pública se repetem em praticamente toda a calha do Solimões, exigindo políticas públicas integradas e permanentes.
Resumo da caravana
A caravana fluvial percorreu, entre julho e agosto de 2025, os municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Jutaí, Fonte Boa, Uarini, Alvarães, Tefé, Coari, Codajás, Anori, Beruri, Anamã, Caapiranga, Manaquiri, Manacapuru e Iranduba, além de 42 comunidades rurais.
Durante a jornada, foram realizadas reuniões com pescadores, produtores rurais, lideranças comunitárias, autoridades locais e representantes das forças de segurança, com visitas a portos, unidades policiais e equipamentos públicos.
Às vésperas do primeiro aniversário da iniciativa, Comandante Dan afirma que o diagnóstico produzido pela caravana permanece atual e defende maior integração entre União, Estado e municípios para enfrentar os desafios históricos da região.
“A caravana mostrou uma Amazônia que muitas vezes não aparece nas estatísticas oficiais. Um ano depois, infelizmente, boa parte daqueles problemas continua sem solução. O interior não precisa apenas de discursos ou promessas; precisa de investimentos, planejamento e presença permanente do Estado para garantir qualidade de vida e desenvolvimento às populações ribeirinhas.”
Fonte: Ascom Deputado Dan Câmara
Foto: Divulgação




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