Sem neuropediatras suficientes no Amazonas, Estado busca médicos de outros estados para atender crianças

Secretaria de Saúde anunciou a contratação de mais de 20 mil consultas. Profissionais serão trazidos de outras regiões do país para reforçar mutirões em Manaus e no interior.
A falta de neuropediatras no Amazonas levou o Governo do Estado a buscar profissionais em outras regiões do país para atender crianças que aguardam consultas na rede pública.
O anúncio foi feito pelo governador Roberto Cidade e pelo secretário de Estado de Saúde, Luis Alberto Saraiva Santos, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (29).
Segundo o secretário, o Amazonas teria atualmente entre 11 e 14 neuropediatras. O número, no entanto, foi apresentado como uma estimativa e ainda não foi confirmado oficialmente pela Secretaria de Saúde.
Para realizar os mutirões planejados, seriam necessários de 50 a 60 profissionais, conforme Luis Saraiva.
“Não existe neuropediatra no estado do Amazonas o suficiente para entregar essa demanda. Estamos trazendo profissionais de fora do estado para que a população não fique sem atendimento”, afirmou.
O secretário relatou que servidores da pasta estão entrando em contato diretamente com médicos de diferentes estados para tentar convencê-los a trabalhar temporariamente no Amazonas.
“Parte do meu time estava ligando para telefones do Brasil inteiro e convencendo o médico a vir para cá. Vendo quanto tempo vai ficar, passagem e hospedagem”, explicou.
Mais de 20 mil consultas
O Governo do Amazonas anunciou a contratação de mais de 20 mil consultas destinadas ao atendimento de crianças que precisam de avaliação especializada.
Apesar do anúncio, a Secretaria de Saúde não informou quantos neuropediatras já foram contratados, quantos aceitaram vir ao Amazonas nem o prazo exato para a realização das 20 mil consultas.
“Em quanto tempo vamos entregar 20 mil consultas? Não sei. Vamos nos esforçar para entregar o mais rápido possível. Se for necessário contratar mais vinte profissionais, vamos contratar”, declarou Saraiva.
Os mutirões já começaram no interior. Segundo a Secretaria de Saúde, 200 consultas foram realizadas em Itacoatiara. Uma nova etapa está em andamento em Manacapuru.
O governo informou que os atendimentos no interior serão presenciais, e não apenas por telessaúde. Crianças que tiverem indicação médica poderão receber o laudo para continuar o tratamento.
A intenção anunciada pelo secretário é levar os mutirões aos municípios amazonenses. O cronograma completo ainda não foi divulgado.
Atendimentos aos finais de semana
Em Manaus, as consultas também deverão ocorrer aos finais de semana nos Centros de Atenção Integral à Criança com Transtorno do Espectro Autista, conhecidos como CAICs TEA.
O governador afirmou que os atendimentos servirão inicialmente para identificar crianças que precisam de acompanhamento especializado.
“Esse é o primeiro passo de um grande projeto. As dificuldades vão ser enormes, mas o primeiro passo é identificar essas crianças”, disse Roberto Cidade.
A Secretaria de Saúde não informou quantas crianças estão atualmente na fila por uma consulta com neuropediatra. Também não detalhou como serão garantidos os retornos e o acompanhamento contínuo após o primeiro atendimento.
Questionado sobre essa continuidade, o governador afirmou que os mutirões representam o início do projeto, mas não apresentou um calendário específico para consultas de retorno.
Falta de especialistas é desafio nacional
A neuropediatria é a especialidade médica responsável pela avaliação e pelo acompanhamento de problemas relacionados ao desenvolvimento e ao sistema nervoso de crianças e adolescentes.
Esses profissionais atuam, por exemplo, na investigação de atrasos no desenvolvimento, epilepsia e transtornos do neurodesenvolvimento.
Luis Saraiva reconheceu que a falta de especialistas não está restrita ao Amazonas e classificou o problema como um desafio da saúde pública brasileira.
O secretário assumiu o comando da Secretaria de Estado de Saúde no fim de maio deste ano. Durante a coletiva, afirmou que o governo não deverá limitar gastos com deslocamento e hospedagem diante da necessidade de trazer médicos de outras regiões.
“Saúde não tem preço, mas tem custo. Essas mães precisam dessa consulta e a gente não vai medir esforços para que o atendimento chegue”, declarou.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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