09/06/2026

Protestos de professores elevam tensão na Cidade do México às vésperas da abertura da Copa do Mundo

         

Greve de servidores e educadores fecha áreas centrais da capital mexicana e gera preocupação sobre possíveis impactos no início do Mundial de 2026.

A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, a Cidade do México enfrenta uma onda de protestos liderada por professores e funcionários públicos em greve. Os manifestantes estão acampados no centro da capital desde o início do mês e cobram aumento salarial, melhorias nas condições de trabalho e mudanças nas regras de aposentadoria.

A mobilização levou ao fechamento de áreas importantes da cidade, incluindo a praça Zócalo, onde está instalada a principal Fan Fest oficial do torneio. Para impedir a aproximação dos grupos ao local, autoridades reforçaram a segurança com bloqueios policiais e presença de militares em regiões estratégicas do centro histórico.

Os protestos são organizados por integrantes da Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), grupo dissidente do sindicato da categoria. Como forma de pressão, os manifestantes têm realizado bloqueios diários de ruas e avenidas da capital.

Durante uma das manifestações, participantes derrubaram estátuas temáticas instaladas para promover a Copa do Mundo em uma das principais avenidas da cidade. Alguns dos monumentos chegaram a ser danificados e queimados.

Representantes do movimento afirmam que a realização da partida de abertura poderá ser alvo de protestos caso não haja avanço nas negociações com o governo mexicano.

“Até agora não tivemos nenhum diálogo, nenhuma mesa de negociação. Seguimos exigindo isso, e a nossa posição é que, se não houver uma solução, a bola não vai rolar”, afirmou o líder do movimento, Natalio Palacio, em entrevista à ESPN.

Além dos professores, familiares de pessoas desaparecidas no México também aderiram às manifestações. Os organizadores afirmam que os atos não são contra o futebol ou contra a realização da Copa do Mundo, mas contra decisões políticas e demandas que, segundo eles, ainda não foram atendidas pelo governo.

Nesta terça-feira (9), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, classificou os protestos como uma “provocação” e minimizou a possibilidade de impactos no início da competição.

Segundo a presidente, a cerimônia de abertura e a partida entre México e África do Sul, marcada para quinta-feira (11) no Estádio Azteca, estão garantidas.

“Não há problema, a abertura vai acontecer e não vamos cair em nenhuma provocação”, declarou Sheinbaum durante entrevista coletiva.

A presidente também descartou o uso da força policial para reprimir os manifestantes e afirmou que o governo segue aberto ao diálogo com a categoria.

O México será o primeiro país da história a sediar três edições da Copa do Mundo. Nesta edição, realizada em conjunto com Estados Unidos e Canadá, o país receberá 13 partidas do torneio, distribuídas entre a Cidade do México, Monterrey e Guadalajara.

Com a proximidade da abertura do Mundial, a expectativa agora gira em torno das negociações entre governo e manifestantes e dos possíveis reflexos das mobilizações sobre a realização dos eventos programados para os próximos dias.

 

 

Foto: Yuri Cortez 

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