Shádia propõe Corujão da Saúde, nove centros regionais e revisão das OSs no Amazonas
Candidata a vice-governadora na chapa de David Almeida falou ao Fatos Marcantes sobre a fila de 1,3 milhão de procedimentos, atendimento no interior, falta de médicos e pagamentos atrasados na saúde estadual
A candidata a vice-governadora do Amazonas Shádia Fraxe (Avante), que integra a chapa de David Almeida, apresentou propostas para reduzir as filas do Sistema de Regulação (Sisreg), ampliar o atendimento no interior e mudar o modelo de gestão dos hospitais estaduais.
Em entrevista ao jornalista Fábio Melo, do Fatos Marcantes, Shádia também falou sobre sua entrada na política, criticou a situação financeira da saúde estadual e comentou a reação do marido, Abdala Fraxe, aos ataques políticos contra ela.
Corujão da Saúde
Uma das principais propostas apresentadas foi o Corujão da Saúde. O programa prevê a realização de exames, consultas e cirurgias durante 24 horas, inclusive com a contratação de hospitais particulares que tenham estrutura disponível.
Segundo Shádia, a fila de aproximadamente 1,3 milhão de procedimentos no Sisreg precisa inicialmente ser organizada por tipo de atendimento.
A candidata afirmou que a legislação permite a contratação complementar da rede privada quando a estrutura pública não consegue atender toda a demanda.
“É possível, sim, zerar essa fila. É inadmissível ter mais de 30 mil consultas com neuropediatra represadas e milhares de pessoas aguardando procedimentos, cirurgias e exames”, declarou.
Shádia também destacou que a compra de equipamentos, sozinha, não resolve o problema. Para ela, a rede precisa de profissionais capacitados para realizar os atendimentos.
Nove centros regionais no interior
Para diminuir a necessidade de deslocamento até Manaus, a candidata propõe a implantação de nove centros regionais de saúde no interior.
Segundo Shádia, 75% dos recursos destinados aos atendimentos de média e alta complexidade ficam concentrados na capital. Os outros 25%, conforme a candidata, são divididos entre os demais 61 municípios.
A proposta é fortalecer hospitais e maternidades em municípios com capacidade para atender também cidades próximas. Coari e Parintins foram citados como exemplos.
“Os municípios não têm condições de realizar cirurgias e outros procedimentos se não recebem os repasses adequados”, afirmou.
Fixação de médicos nos municípios
Outro desafio apontado por Shádia é a concentração de médicos em Manaus. Segundo ela, 95% desses profissionais atuam na capital e somente 5% permanecem no interior.
Entre as alternativas defendidas estão o trabalho em sistema de rodízio e a criação de uma carreira que incentive a permanência dos profissionais nos municípios.
“Existem várias estratégias. Precisamos tirar essas propostas do papel”, disse.
Revisão dos contratos com organizações sociais
Shádia também criticou o modelo de gestão dos grandes hospitais por organizações sociais, conhecidas como OSs. Ela afirmou que a proposta não agrada à equipe responsável pela elaboração do plano de governo.
A candidata disse que os contratos seriam revisados para avaliar a possibilidade de reduzir a participação dessas organizações na administração das unidades.
Segundo Shádia, o Sistema Único de Saúde deve funcionar como uma rede integrada, acompanhando o paciente em todas as etapas do tratamento.
Ela também citou a necessidade de concurso público e de outras formas de contratação para reforçar as equipes, mas afirmou que cada modelo deverá ser analisado antes de uma decisão.
Pagamentos atrasados
Ao avaliar a situação atual da saúde estadual, Shádia apontou a gestão financeira como o principal problema.
A candidata criticou os atrasos nos pagamentos das empresas que fornecem médicos e outros profissionais para a rede pública. Segundo ela, o problema atinge toda a equipe, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros e agentes de portaria.
Shádia afirmou ainda que, em uma eventual transição de governo, pretende verificar possíveis falhas na busca por recursos federais e analisar os contratos existentes.
Da gestão técnica para a disputa eleitoral
Médica com 18 anos de atuação no SUS, Shádia afirmou que aceitou concorrer à vice-governadoria para levar ao interior a experiência acumulada na Secretaria Municipal de Saúde de Manaus.
Ela atribuiu a entrada na disputa aos resultados alcançados na atenção básica da capital e à liberdade técnica que, segundo ela, recebeu durante a gestão de David Almeida.
Shádia afirmou que a cobertura da atenção básica em Manaus passou de cerca de 47% para mais de 92%. Também citou a construção de 13 unidades básicas de saúde.
Embora tenha construído a carreira na área técnica, a candidata reconheceu que o comando de uma secretaria envolve decisões políticas, administrativas e orçamentárias.
Reação do marido aos ataques
Durante a entrevista, Shádia comentou o episódio em que Abdala Fraxe bateu na mesa da Assembleia Legislativa ao reagir aos ataques direcionados à candidata.
Ela afirmou que não esperava a atitude do marido, com quem é casada há 34 anos, e avaliou que a reação ocorreu de forma espontânea diante das tentativas de descredibilizar seu trabalho.
“Ele acabou se excedendo e bateu na mesa, o que nem é do perfil dele. Foi uma reação ao ver alguém ferir a companheira”, explicou.
Pesquisas eleitorais
Sobre as pesquisas, Shádia disse diferenciar levantamentos técnicos daqueles que considera influenciados por interesses eleitorais.
A candidata afirmou que também leva em consideração a recepção da população durante caminhadas e outros compromissos de campanha.
A entrevista integra a série do Fatos Marcantes com candidatos que disputam as eleições de 2026.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Fabio Melo
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