18/07/2026

PL alega evento aberto e Salazar diz não ter bola de cristal, mas documento mostra que acusada é conhecida da sigla

         

A reação do Partido Liberal ao desgaste provocado por imagens de Maria do Carmo com uma mulher acusada de envolvimento com o tráfico se sustenta em dois pilares: a tese de que o evento era aberto e a defesa pública de aliados de que não há como prever quem se aproxima.

Em nota, a pré-candidata ao Governo do Amazonas afirma que a agenda em Itamarati ocorreu com ampla participação popular e sem controle prévio de acesso individual. Segundo a equipe, trata-se de evento aberto, o que inviabiliza qualquer tipo de triagem das pessoas que se aproximam para fotos ou diálogos.

A mesma linha é reforçada em vídeo pelo vereador Sargento Salazar, que afirma não ter “bola de cristal” para saber o passado de quem está em meio ao público. No conteúdo, ele ironiza a possibilidade de exigir ficha criminal e sustenta que as críticas fazem parte de tentativa de desgaste político da pré-candidata.

A justificativa, porém, entra em confronto com registros internos do próprio partido.

A mulher que aparece nas imagens é Emilly Beatriz Souza da Cruz, que não apenas esteve presente, mas foi apresentada em vídeo como liderança local durante a agenda no interior, indicando vínculo político e conhecimento prévio.

Emilly já integrou o PL e foi candidata à Prefeitura de Itamarati em 2024. Na ocasião, a própria direção estadual da sigla tentou barrar sua candidatura com base em informações que já eram de conhecimento interno.

Documento assinado pelo presidente do partido no Amazonas, Alfredo Nascimento, afirma a existência de “fatos desabonadores” e registra que Emilly “encontra-se foragida da Justiça”, além de mencionar investigações com mandados de prisão envolvendo seu nome.

No mesmo documento, o partido determina o cancelamento da convenção municipal que havia oficializado sua candidatura, numa tentativa de impedir sua participação na eleição.

Apesar disso, ela conseguiu disputar o pleito por decisão judicial.

O episódio atual, portanto, vai além de uma imagem em evento aberto.

A narrativa de que não seria possível identificar quem se aproxima perde consistência diante do fato de que a pessoa envolvida já havia sido formalmente questionada pelo próprio partido, com registro documental e decisão interna de afastamento.

Nesse contexto, a controvérsia se desloca da espontaneidade do encontro para a coerência entre o discurso adotado agora e o histórico já estabelecido dentro da própria sigla.

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