04/11/2026

PF inaugura laboratório para rastrear origem do ouro e combater garimpo ilegal

         

 

 

Com recursos do Fundo Amazônia, estrutura permitirá identificar a procedência do minério por meio de análises científicas e subsidiar investigações de crimes ambientais

 

 

A Polícia Federal inaugurou, nesta terça-feira (3/11), o Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral, no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. A nova estrutura permitirá identificar a origem do ouro por meio de análises científicas, contribuindo para investigações relacionadas ao garimpo ilegal e a outros crimes ambientais, especialmente na Amazônia.

A iniciativa integra o Programa Ouro Alvo, desenvolvido pela PF com apoio do Fundo Amazônia, no âmbito do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS).

O laboratório utilizará análises geoquímicas e isotópicas para identificar características específicas de jazidas brasileiras e construir uma base de referências científicas. A partir desses registros, será possível comparar amostras de ouro apreendido e obter informações sobre sua possível procedência.

A tecnologia poderá auxiliar na identificação de minério extraído ilegalmente, fornecer elementos técnicos para investigações e contribuir para o rastreamento de atividades criminosas relacionadas à cadeia de exploração e comercialização do ouro.

O diretor técnico-científico da Polícia Federal, Roberto Reis Monteiro Neto, destacou que a inauguração representa um avanço para a perícia criminal federal. Segundo ele, os novos métodos e equipamentos permitirão traçar perfis mais detalhados do ouro e contribuir para responder a uma das principais questões das investigações: a origem do minério.

Para o diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire de Barros, a identificação da origem do ouro é fundamental para verificar a legalidade de sua exploração e comercialização. Segundo ele, a análise das características do metal permitirá confrontar sua procedência real com as informações apresentadas na documentação, auxiliando na identificação de possíveis fraudes.

O diretor também ressaltou que a rastreabilidade pode beneficiar o mercado legal, ao permitir a comprovação da procedência do minério e contribuir para a valorização de cadeias produtivas certificadas.

O gerente do Programa Ouro Alvo, Gustavo Caminoto Geiser, explicou que a necessidade de aprimorar os métodos de análise surgiu durante as investigações sobre a origem do minério. “Começamos a realizar pesquisas periciais para verificar a autenticidade da documentação que acompanha o ouro e identificamos a necessidade de aprimorar a capacidade da Polícia Federal para comprovar os crimes de lavagem de ouro e outros delitos relacionados”, afirmou.

Investimento em tecnologia e perícia criminal

Os recursos do Fundo Amazônia destinados ao Programa Ouro Alvo contemplam a aquisição de equipamentos para análises minerais e de mercúrio, além de estruturas para preparação, caracterização e armazenamento de amostras no Instituto Nacional de Criminalística.

O investimento amplia a capacidade técnico-científica da Polícia Federal na produção de provas periciais e no enfrentamento aos crimes ambientais.

A diretora socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Teresa Campello, destacou que o laboratório representa um avanço na utilização de conhecimento científico e tecnologias de ponta para fortalecer a atuação da Polícia Federal no combate aos crimes ambientais. Segundo ela, a iniciativa integra os esforços do governo federal para ampliar a capacidade de inteligência e investigação das instituições de segurança pública.

O Programa Ouro Alvo integra o Plano AMAS, que conta com R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer ações de inteligência, investigação e fiscalização na Amazônia Legal. Desse total, segundo Teresa Campello, R$ 49,7 milhões foram destinados à agenda relacionada ao parque tecnológico e ao laboratório voltado ao rastreamento da origem do ouro.

Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o plano reúne iniciativas da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança Pública e das forças estaduais de segurança dos nove estados da Amazônia Legal.

Os recursos do Fundo Amazônia são geridos pelo BNDES, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Solenidade de inauguração

A cerimônia contou com a participação do diretor de Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire de Barros, que representou o diretor-geral da instituição; do secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf, representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; do diretor técnico-científico da PF, Roberto Reis Monteiro Neto; da diretora socioambiental do BNDES, Teresa Campello; do gerente do Programa Ouro Alvo, Gustavo Caminoto Geiser; e do coordenador da Unidade de Prevenção aos Crimes Ambientais do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Alexander Walsh.

Fonte: PF

Foto: Divulgação     

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