Petróleo cai mais de 10%, mas impacto deve continuar no Brasil com risco na oferta de diesel

Mesmo com trégua no Oriente Médio, cadeia global enfrenta gargalos e país segue exposto por depender de importações
A queda superior a 10% no preço do petróleo após a reabertura do Estreito de Ormuz sinaliza um alívio imediato no mercado internacional, mas especialistas apontam que os efeitos da crise no Oriente Médio devem continuar sendo sentidos por meses — inclusive no Brasil.
A liberação da rota estratégica, responsável por mais de 20% do transporte global da commodity, ocorreu após o cessar-fogo envolvendo Estados Unidos e Irã, o que reduziu a pressão sobre a oferta global e provocou recuo nas cotações.
Apesar disso, análises da U.S. Energy Information Administration (EIA) e da International Energy Agency (IEA) indicam que o mercado global deve enfrentar uma espécie de “ressaca logística”. O diagnóstico aponta que a cadeia de produção, refino e distribuição opera com baixa margem para interrupções, o que prolonga os efeitos de conflitos mesmo após a redução das tensões.
Na prática, isso significa que atrasos em entregas, quebra de contratos e gargalos no transporte marítimo ainda devem impactar o fluxo de combustíveis em escala global.
No Brasil, o cenário é considerado mais sensível. O país importa cerca de 30% do diesel que consome, o que amplia a exposição à volatilidade internacional. Nesse contexto, além da pressão sobre os preços, especialistas apontam risco de desabastecimento em momentos de maior instabilidade.
A estrutura de formação de preços reforça esse cenário: cerca de 55% do valor final dos combustíveis está ligado ao custo do produto, incluindo produção, refino e importação. Impostos representam aproximadamente 17%, enquanto os biocombustíveis adicionados respondem por cerca de 13%. A etapa de distribuição varia entre 5% e 10% do preço, sendo considerada estratégica para garantir o abastecimento, e a revenda completa a composição.
Diante desse ambiente, o governo federal tem adotado medidas para mitigar os impactos ao consumidor. Entre elas, está a subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, além de um incentivo anterior de R$ 0,32 por litro. Também foi determinado que distribuidoras informem semanalmente suas margens à Agência Nacional do Petróleo (ANP), com possibilidade de sanções.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, as ações já começaram a conter a pressão sobre os preços, embora novas medidas estejam em análise.
O pacote inclui ainda subsídio ao gás de cozinha, com aporte de R$ 330 milhões e redução estimada no valor do botijão, além de incentivos tributários para combustíveis como biodiesel e querosene de aviação. Há também previsão de crédito para o setor aéreo por meio do BNDES.
No campo político, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo avalia novas ações, incluindo a possibilidade de subsídio à gasolina, caso o cenário internacional se deteriore.
Mesmo com a recente queda nos preços, analistas avaliam que o comportamento do mercado seguirá condicionado à estabilidade no Oriente Médio. A retomada plena da normalidade, segundo projeções internacionais, deve ocorrer de forma gradual e dependerá da manutenção da trégua e da recomposição da cadeia logística global.
Com informações do g1, Reuters e agências internacionais




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