Operação da PF sobre aplicações da Amazonprev expõe constrangimento ao PL; presidente da fundação diz que fatos não ocorreram em sua gestão

A operação da PF que investiga aplicações financeiras envolvendo recursos da Fundação Amazonprev, responsável pela previdência dos servidores estaduais, teve repercussão tímida entre algumas lideranças do Partido Liberal (PL) no Amazonas. O silêncio chama atenção porque, em outras operações policiais envolvendo adversários políticos, integrantes da sigla costumam adotar críticas imediatas e duras nas redes sociais.
O caso ganhou dimensão política porque o atual diretor-presidente da fundação, Evilázio Nascimento, é irmão do presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento. Nos bastidores da política amazonense, a indicação de Evilázio para assumir o comando da Amazonprev é atribuída ao próprio dirigente da sigla.
Em nota, Evilázio afirmou que os fatos investigados não ocorreram durante sua gestão. Segundo ele, assumiu a presidência da fundação apenas em maio de 2025, após nomeação publicada pelo Governo do Estado.
“Conforme registro oficial, assumi a presidência da Fundação Amazonprev apenas em maio de 2025. Portanto, os fatos apurados pela Polícia Federal não ocorreram durante a minha gestão. Reitero meu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a correta gestão dos recursos previdenciários dos servidores do Amazonas”, declarou.
A operação da PF investiga aplicações financeiras suspeitas que somam cerca de R$ 390 milhões, realizadas entre junho e setembro de 2024 pelo fundo previdenciário. Segundo as investigações, parte dessas operações teria sido feita sem aprovação do comitê de investimentos, contrariando regras de governança da gestão previdenciária. 
Entre os valores sob análise está uma aplicação de R$ 50 milhões em títulos do Banco Master, instituição que entrou em processo de liquidação após investigações envolvendo seu controlador. 
A Justiça Federal autorizou sete mandados de busca e apreensão em Manaus e no Rio de Janeiro e determinou o afastamento de três servidores da fundação por 90 dias durante as investigações. 
O episódio ocorre poucos dias depois de outro constrangimento envolvendo o partido no estado. Na semana passada, o PL do Amazonas anunciou a expulsão do pastor e empresário Anderson Ricardo Lima dos Santos, que se apresentava como pré-candidato a deputado estadual, após ele se tornar alvo de uma operação policial que apura um esquema de fraude e lavagem de dinheiro estimado em R$ 75 milhões. 
Mesmo com a repercussão da nova operação envolvendo recursos da previdência estadual, algumas lideranças do partido que costumam adotar discurso duro contra corrupção ainda não haviam se manifestado publicamente sobre o caso. Entre os nomes citados no debate político estão Maria do Carmo e Sargento Salazar, ligados ao PL e frequentemente associados a posicionamentos críticos em investigações envolvendo agentes públicos.
Com o irmão do presidente estadual do partido à frente da fundação investigada — ainda que ele afirme que os fatos ocorreram antes de sua gestão — o episódio acaba gerando novo desgaste político para a legenda em um momento de articulações para as eleições de 2026 no Amazonas.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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