17/06/2026

Mendonça diz ter recusado “delação seletiva” de Vorcaro: “perderam o pudor”

         

Ministro do STF afirmou ter recusado proposta de advogado e que assiste “movimentos” de interessados no Caso Master. De acordo com ele, “setores” querem criar “vício” na investigação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou, nesta terça-feira (16/6), que foi procurado por um suposto advogado (sem citá-lo nominalmente) com uma proposta classificada por ele mesmo como “delação seletiva”. A declaração foi feita durante julgamento na Segunda Turma do STF que manteve a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Além disso, foi feita em forma de resposta a críticas feitas pelo também ministro Gilmar Mendes.

Além de também não explicar a qual caso a fala, de forma exata, se referia, afirmou não participar de negociações de acordos de colaboração premiada. De acordo com ele, esta função cabe ao Ministério Público.

“Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não”, rechaçou. Segundo o ministro, um relator não é competente o suficiente para celebrar acordos de colaboração. Garantiu, ainda “não fazer questão” de participar de situações do gênero. “A rigor, o relator sequer tem competência para celebrar delação. É a Procuradoria. Eu não participo. Não faço questão”, destacou.

Mendonça afirmou ter evitado acessar o conteúdo de uma proposta de colaboração, apresentada por uma defesa em específico. O ministro entendeu que a atitude em questão poderia comprometer a futura atuação no processo.

“A defesa até apresentou uma primeira proposta de delação. Eu não quis acessar, ministro Gilmar. Há uma perspectiva de que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assistindo os movimentos”, garantiu.

 

As falas serviram como resposta ao discurso de Gilmar Mendes na mesma sessão. O colega pontuou que magistrados não devem participar de negociações portadoras de colaborações premiadas. Além disso, apontou que “juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia”.

Veja a fala de André Mendonça:

 

 

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Gustavo Moreno

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