Manaus tem o etanol mais caro do Brasil e conta simples mostra que combustível não compensa

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estudo analisou os preços praticados em centenas de postos de combustíveis em todo o país, entre os dias 4 e 10 de janeiro, e apontou que o litro do etanol na capital amazonense chegou a R$ 5,49, o maior valor do ranking nacional.
Além do etanol, Manaus também aparece entre as cidades com a gasolina comum mais cara do país, com preço médio de R$ 6,98, ficando atrás apenas de Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). Os dados colocam a capital amazonense em destaque negativo no custo do abastecimento.
Como saber se o etanol vale a pena
Para o consumidor decidir entre etanol e gasolina, existe um cálculo simples, amplamente utilizado no mercado. Basta dividir o preço do etanol pelo preço da gasolina.
• Se o resultado for até 70%, o etanol costuma valer a pena.
• Se ficar acima de 70%, a gasolina é mais vantajosa, porque rende mais quilômetros por litro.
Em Manaus, usando os valores do levantamento da ANP, a conta fica assim:
R$ 5,49 (etanol) ÷ R$ 6,98 (gasolina) = 0,78, ou 78%
O percentual fica bem acima do limite de 70%. Isso indica que, com os preços atuais, o etanol não compensa para o consumidor manauara.
Para que o etanol começasse a ser uma opção vantajosa na capital, o litro precisaria custar cerca de R$ 4,89, considerando o preço atual da gasolina. O valor praticado nos postos está aproximadamente 60 centavos acima desse patamar.
Ranking do etanol mais caro do Brasil
• Manaus (AM) – R$ 5,49
• Porto Velho (RO) – R$ 5,49
• Boa Vista (RR) – R$ 5,30
• Natal (RN) – R$ 5,23
• Rio Branco (AC) – R$ 5,21
Gasolina também pesa no bolso
• Rio Branco (AC) – R$ 7,24
• Porto Velho (RO) – R$ 7,09
• Manaus (AM) – R$ 6,98
• Curitiba (PR) – R$ 6,74
• Boa Vista (RR) – R$ 6,70
Por que o etanol é tão caro em Manaus
O alto preço do etanol no Amazonas está ligado principalmente a fatores estruturais. O estado não possui produção significativa do biocombustível, o que obriga o transporte a partir de outras regiões do país. Esse deslocamento, feito em grande parte por longas rotas fluviais, encarece o produto antes mesmo de chegar aos postos.
Somam-se a isso os custos de armazenamento, a carga tributária e o baixo volume de consumo, que reduzem a concorrência e dificultam a queda de preços.
Preços sob investigação
O cenário de combustíveis caros ocorre paralelamente às investigações do Ministério Público do Amazonas, que ingressou com 33 ações civis públicas contra postos de combustíveis de Manaus por suspeita de combinação de preços da gasolina. As apurações apontam reajustes simultâneos e valores muito próximos em diferentes regiões da cidade, sem justificativas econômicas claras.
Embora os nomes dos postos investigados não tenham sido divulgados, o caso reforça o debate sobre a falta de concorrência e o impacto direto no bolso do consumidor.
Etanol perde função econômica na capital
Apesar de ser apresentado como alternativa mais limpa, o etanol se tornou, em Manaus, um combustível economicamente desvantajoso. O levantamento da ANP e o cálculo simples mostram que, com os preços atuais, a gasolina segue sendo a opção menos onerosa para quem precisa abastecer regularmente.
O resultado evidencia um problema recorrente no Norte do país: políticas de preços e logística que acabam tornando o custo do combustível mais alto justamente para quem vive mais distante dos grandes centros produtores.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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