18/07/2026

Justiça italiana avança em processo contra Carla Zambelli e decisão final fica com governo

         

Ex-deputada permanece presa em Roma e responde a dois processos; defesa ainda pode recorrer das decisões

A Justiça italiana deu mais um passo no processo que pode trazer a ex-deputada federal Carla Zambelli de volta ao Brasil. Nesta quinta-feira (16), foi autorizada a extradição no caso em que ela foi condenada por porte ilegal de arma de fogo, episódio que ganhou repercussão nacional durante as eleições de 2022.

A decisão atende a um pedido formalizado pelo Brasil e confirmado por autoridades diplomáticas, mas ainda não encerra o processo. A defesa pode recorrer, e a palavra final caberá ao governo italiano.

O caso analisado envolve a perseguição armada a um homem nas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno eleitoral. As imagens do episódio embasaram a investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, que condenou Zambelli a mais de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

Dois processos e pressão jurídica

A situação da ex-deputada se torna mais delicada porque este não é o único processo em curso. Em outra frente, a Justiça italiana já havia autorizado a extradição em um caso envolvendo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Nesse episódio, as investigações apontam que Zambelli teria atuado com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos no sistema, incluindo um suposto mandado de prisão contra um ministro do STF. A defesa recorreu dessa decisão, que ainda aguarda análise.

Prisão e risco de fuga

Com cidadania italiana, Zambelli deixou o Brasil após as condenações e passou por outros países antes de chegar à Itália. Desde então, é considerada foragida pela Justiça brasileira.

Ela está presa em Roma desde julho de 2025. Segundo autoridades italianas, a manutenção da prisão se justifica pelo risco de fuga enquanto os processos seguem em tramitação.

Etapa final ainda depende do governo

Apesar das decisões judiciais favoráveis à extradição, o desfecho ainda depende de uma análise política e administrativa. Cabe ao Ministério da Justiça da Itália avaliar os elementos dos processos e decidir se autoriza a entrega da ex-deputada ao Brasil.

O pedido se baseia em um tratado de cooperação firmado entre os dois países, que prevê a extradição de cidadãos para julgamento ou cumprimento de pena.

O caso se arrasta em diferentes frentes e se consolida como um dos episódios recentes mais relevantes envolvendo políticos brasileiros no exterior.

 

 

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