Innova é multada em R$ 4,5 milhões após vazamento de estireno; empresas próximas seguem com atividades suspensas

Fiscalização apontou que os níveis de poluição atmosférica permaneciam acima do limite considerado seguro até quinta-feira (16). Corpo de Bombeiros mantém monitoramento da área e fará nova avaliação antes de liberar o retorno das indústrias vizinhas.
A empresa Innova, responsável pelo vazamento de monômero de estireno no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus, foi multada em R$ 4,5 milhões pela Prefeitura de Manaus após uma inspeção técnica realizada na quinta-feira (16). Durante a vistoria, a força-tarefa que acompanha a ocorrência constatou que os níveis de poluição atmosférica ainda estavam acima do limite considerado seguro para a exposição humana.
O vazamento foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno apresentar uma elevação anormal de temperatura. Segundo a empresa, o aumento da pressão acionou automaticamente as válvulas de segurança do reservatório para evitar uma explosão, provocando a liberação de vapores na atmosfera.
O estireno é uma substância utilizada na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea, falta de ar e, em casos mais graves, desmaios.
A fiscalização foi realizada por equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec), que atuam de forma integrada no Gabinete de Crise da Prefeitura de Manaus.
Segundo a administração municipal, a Innova foi autuada em 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 4.554.300. Além da multa, a empresa terá prazo de 20 dias para apresentar relatórios técnicos de segurança, plano de contingência, plano de atendimento emergencial, informações sobre drenagem e capacidade de tratamento. Caso as exigências não sejam cumpridas, a penalidade poderá ser consolidada.
Até o fechamento desta reportagem, a Innova não havia se manifestado sobre a autuação.
De acordo com o diretor jurídico da Semmas, Henrique Marinheiro, embora o vazamento tenha diminuído, a concentração do poluente ainda permanecia acima do limite tolerável durante as medições realizadas na quinta-feira.
> “As equipes ainda estão realizando a contenção do vazamento, que já está bem reduzido, mas ainda não terminou. A orientação para a população é manter os ambientes arejados e evitar proximidade com a área”, afirmou.
Empresas próximas seguem sem retomar atividades
Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), 18 empresas liberaram os funcionários na quinta-feira (16) como medida preventiva. Nesta sexta-feira (17), algumas empresas localizadas nas proximidades da Innova permanecem com as atividades suspensas, aguardando uma nova avaliação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Por questões de segurança, a corporação mantém isolada uma área de aproximadamente 300 metros ao redor da indústria. Uma nova inspeção será realizada nas próximas 24 horas para definir se haverá liberação das empresas vizinhas e o retorno das atividades.
O Corpo de Bombeiros informou que o vazamento foi controlado ainda na quarta-feira (15) e que, atualmente, as equipes permanecem realizando o resfriamento do tanque e o monitoramento constante da temperatura para evitar novos riscos.
Segundo a corporação, cerca de 80% do material expelido atualmente é composto por partículas de água, reduzindo significativamente a concentração de estireno no ambiente. Dessa forma, as autoridades afirmam que, nas condições atuais, os riscos para a saúde da população são considerados pequenos.
As medições realizadas pela Defesa Civil nas empresas localizadas nas proximidades apontaram concentrações inferiores a 20 partes por milhão (ppm), sem registro, até o momento, de agravamento da qualidade do ar nas áreas monitoradas.
Fábrica pode ser interditada
Após a estabilização da ocorrência, o Implurb deverá realizar uma vistoria estrutural na unidade industrial para verificar possíveis irregularidades relacionadas à legislação urbanística e ao Plano Diretor de Manaus.
Segundo a gerente da Divisão de Controle da Cidade do instituto, Maria Aparecida Fróes, a inspeção interna só será realizada após a liberação da Defesa Civil, devido aos riscos existentes no local.
Caso sejam identificadas irregularidades, o órgão poderá aplicar novas autuações e até determinar a interdição parcial ou total da fábrica.
Saúde
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), até a quinta-feira (16), foram realizados 149 atendimentos relacionados ao vazamento. Os pacientes apresentavam sintomas como falta de ar, náusea, cefaleia, tontura e desmaio.
Do total, 140 pessoas receberam alta médica, oito permanecem internadas e foi registrado um óbito. Segundo a SES-AM, não foi constatada relação direta entre a morte e o vazamento, embora o paciente tenha relatado mal-estar após o incidente e possuísse histórico de doença respiratória crônica.
A orientação das autoridades é que pessoas com irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar ou outros sintomas procurem a unidade de saúde mais próxima ou acionem o Samu pelo telefone 192.
Após a liberação da área, a Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica realizarão perícia para apurar as causas do acidente.
Foto: Innova




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