20/08/2026

Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China

         

Empresário Hui Ka Yan chegou a ser o homem mais rico da Ásia, com fortuna estimada em US$ 45,3 bilhões, antes do colapso da gigante imobiliária

Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (20) por um tribunal de Shenzhen, no sul da China. Aos 67 anos, o empresário também teve todos os bens pessoais confiscados pela Justiça.

A condenação encerra a trajetória de um empresário que saiu de uma região rural da China, trabalhou como técnico em uma siderúrgica e construiu uma das maiores incorporadoras imobiliárias do país. No auge, Hui chegou a ser considerado o homem mais rico da Ásia.

Hui nasceu na província de Henan, no centro da China, e foi criado pela avó em uma área rural. Depois de trabalhar em uma siderúrgica, fundou a Evergrande e adotou um modelo de expansão baseado em empréstimos para comprar terrenos e construir imóveis. Os apartamentos eram vendidos rapidamente, permitindo que a empresa continuasse crescendo.

A estratégia funcionou durante o período de forte expansão do mercado imobiliário chinês. A Evergrande se tornou uma das maiores incorporadoras do país e chegou a registrar 700 bilhões de yuans em vendas anuais em 2020, o equivalente a cerca de US$ 100 bilhões.

O crescimento da empresa fez a fortuna de Hui disparar. Em 2017, seu patrimônio chegou a US$ 45,3 bilhões, segundo a Forbes, tornando-o o homem mais rico da Ásia. Ele também ganhou espaço entre empresários próximos ao poder chinês e participou, em 2021, das comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês em Pequim.

Naquele momento, porém, a Evergrande já enfrentava dificuldades financeiras. Para crescer, a empresa havia acumulado uma enorme quantidade de dívidas e dependia da venda de imóveis para gerar recursos e manter os pagamentos.

Em 2021, a incorporadora deixou de pagar dívidas no exterior. O episódio se tornou um dos principais símbolos da crise imobiliária chinesa. Com a desaceleração do setor, a Evergrande não conseguiu honrar seus compromissos e acabou entrando em liquidação.

A crise também afetou diretamente a fortuna de Hui. O patrimônio, que havia chegado a US$ 45,3 bilhões em 2017, caiu para cerca de US$ 3 bilhões em 2023, segundo a Reuters. Nesta quinta-feira, além da prisão perpétua, a Justiça determinou o confisco de todos os seus bens pessoais.

Hui estava detido havia cerca de três anos quando se declarou culpado, em abril, de oito acusações. Entre elas estão uso indevido de fundos, fraude na arrecadação de recursos e tomada ilegal de depósitos públicos.

A condenação transforma o empresário que já foi o homem mais rico da Ásia em um dos principais símbolos do colapso do mercado imobiliário chinês.

 

Foto: Divulgação 

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