Falta de terrenos trava expansão da Zona Franca de Manaus: mais de 60 empresas na fila e apenas 40 vagas disponíveis

A falta de áreas disponíveis no Distrito Industrial voltou ao centro do debate na reunião do Conselho de Administração da Suframa, realizada nesta segunda-feira (30), em Manaus, com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Embora a pauta tenha sido marcada pela análise de 83 projetos, com previsão de R$ 1,17 bilhão em investimentos e 2.880 empregos, parte da discussão expôs um problema que hoje limita a expansão do polo: a dificuldade para disponibilizar terrenos a novas empresas interessadas em se instalar na capital.
Dos 83 projetos apresentados, 38 são de implantação de novas empresas, com previsão de R$ 726,6 milhões em investimentos e 1.931 empregos. Outros 45 tratam de diversificação, ampliação e atualização industrial, com mais R$ 449,6 milhões e potencial de 949 vagas.
Durante a reunião, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, explicou que o modelo atual de cessão de lotes tem dificultado a chegada de novos empreendimentos. Segundo ele, desde 2021 a autarquia depende de licitação para conceder áreas no Distrito Industrial, e esse processo só pode ser feito a cada dois anos.
“Essa licitação a gente só pode fazer de dois em dois anos.”
Na prática, isso cria uma fila. A licitação mais recente foi em 2025 e a próxima só poderá ocorrer em 2027. Nesse intervalo, empresas interessadas em se instalar em Manaus acabam enfrentando espera, mesmo em um momento de maior procura pela Zona Franca.
Segundo a apuração relatada pela própria gestão, hoje há mais de 60 empresas querendo se instalar, mas a capacidade imediata de atendimento alcança cerca de 40. As demais tendem a ficar na espera por nova oferta de terrenos.
Ao defender mudanças na Resolução 102/2021, que trata da destinação e uso dos lotes da Suframa, Leopoldo afirmou que a intenção é tornar o processo mais dinâmico, com edital de chamamento público e critérios técnicos e objetivos já validados pela Procuradoria da autarquia.
“O que acontece hoje no Polo Industrial de Manaus… nós precisamos de um procedimento mais dinâmico, mais célere, para que a gente possa fazer essa cessão de lotes.”
O tema, no entanto, não foi votado de imediato. Houve pedido para aprofundar a discussão, e a proposta acabou adiada para receber sugestões e ajustes antes de nova deliberação.
Na fala apresentada ao conselho, Leopoldo também chamou atenção para outro fator que agrava o problema: as invasões em áreas dos Distritos 1, 2 e 3. Segundo ele, sem um procedimento mais rápido para ocupação regular dos lotes, a Suframa corre o risco de perder áreas estratégicas justamente em um momento de aumento da demanda.
O assunto também apareceu nas manifestações do setor produtivo. O presidente executivo da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, afirmou que a falta de terrenos já impede a instalação de novas empresas em Manaus e disse que, após a reforma tributária, houve aumento no interesse de investidores pela cidade.
Além da tentativa de acelerar a cessão de lotes, a Suframa também trabalha com a possibilidade de parceria com a Prefeitura de Manaus para ampliar alternativas de áreas destinadas à atividade industrial.
Ao final da reunião, conselheiros destacaram a atuação de Geraldo Alckmin à frente do ministério e mencionaram sua saída iminente do cargo para cumprir o calendário eleitoral. A expectativa é de que ele se desincompatibilize nos próximos dias, encerrando um período à frente da política industrial que, segundo os próprios participantes, coincidiu com a retomada de investimentos e maior estabilidade para a Zona Franca.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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