Ex-presidente do BRB preso pela PF avalia delação e pede transferência para garantir sigilo com defesa

Defesa de Paulo Henrique Costa aciona o STF e aponta dificuldades de comunicação na Papuda; investigação apura suspeitas de corrupção e falhas de governança
O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, preso na Operação Compliance Zero, manifestou interesse em colaborar com as investigações conduzidas pela Polícia Federal. A informação consta em pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal, no qual a defesa também solicita a transferência do investigado para uma unidade que permita comunicação sigilosa com os advogados.
O requerimento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso. No documento, os advogados afirmam que a eventual colaboração premiada depende de três fatores: a voluntariedade do investigado, a análise da utilidade das informações e uma decisão consciente sobre os termos do acordo.
Segundo a defesa, essas condições não estariam sendo plenamente atendidas no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A petição sustenta que a estrutura da unidade dificulta reuniões reservadas e o manuseio de documentos, comprometendo o direito à autodefesa e a confidencialidade das conversas.
Por esse motivo, os advogados pedem a transferência para um ambiente que assegure comunicação sigilosa entre cliente e defesa. O pedido também menciona que Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, o que, segundo a defesa, pode garantir direito à chamada prisão especial, como sala de Estado-Maior.
A investigação faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Entre os crimes investigados estão corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
No centro do caso está a atuação do Banco de Brasília em operações envolvendo o Banco Master. De acordo com as investigações, há suspeitas de que negócios tenham sido realizados sem garantias adequadas, o que levanta questionamentos sobre práticas de governança e análise de risco.
A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB também é analisada. A operação foi apresentada como alternativa para evitar a quebra da instituição privada, mas acabou barrada pelo Banco Central, que apontou ausência de viabilidade econômico-financeira e risco elevado para o banco público.
Além disso, a Polícia Federal apura se houve aquisição de carteiras de crédito consideradas problemáticas, com foco na avaliação dos processos internos de aprovação e controle.
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB a partir de 2019 e foi afastado do cargo em novembro por decisão judicial. Com mais de duas décadas de atuação no mercado financeiro, ele também ocupou cargos de direção na Caixa Econômica Federal antes de assumir o comando do banco regional.




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