EUA suspendem emissão de vistos para dezenas de países, incluindo o Brasil, e ampliam endurecimento migratório

O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou a suspensão, por tempo indeterminado, do processamento e da emissão de vistos para cidadãos de cerca de 75 países, entre eles o Brasil. A medida foi revelada inicialmente pela imprensa americana e confirmada por autoridades do governo, com base em um memorando interno enviado a consulados e embaixadas dos EUA ao redor do mundo.
De acordo com informações divulgadas por veículos internacionais como Reuters, Associated Press e The New York Times, a orientação é para que funcionários consulares deixem de conceder vistos com base nas regras atuais enquanto o governo promove uma revisão ampla dos critérios de triagem, segurança e verificação de antecedentes dos solicitantes.
A suspensão atinge países de diferentes regiões, incluindo Irã, Iraque, Somália, Rússia, Afeganistão, Egito, Nigéria, Tailândia, Iêmen, além de nações da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia. Fontes diplomáticas ouvidas pela imprensa estrangeira afirmam que a lista pode ser ajustada, ampliada ou reduzida conforme o andamento das análises internas.
Alinhamento com política migratória de Trump
A decisão ocorre em meio ao reforço da política migratória do presidente Donald Trump, que desde o início do atual mandato voltou a adotar um discurso duro contra a imigração. O governo tem defendido medidas mais rígidas como forma de proteger a segurança nacional e a soberania dos Estados Unidos.
Segundo dados oficiais citados pela imprensa internacional, mais de 100 mil vistos já foram revogados desde o retorno de Trump à Casa Branca — número considerado recorde e mais que o dobro do registrado em 2024, durante o governo de Joe Biden. As revogações incluem vistos de turismo, trabalho, estudo e residência temporária.
Em declaração recente, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que a prioridade do governo é “proteger os cidadãos americanos”, citando casos de estrangeiros que tiveram vistos cancelados após envolvimento em crimes como agressão, fraude ou direção sob efeito de álcool.
Estudantes, redes sociais e leis da Guerra Fria
A nova ofensiva migratória também atingiu estudantes estrangeiros, especialmente aqueles envolvidos em protestos políticos. O secretário de Estado Marco Rubio confirmou a revogação de vistos de universitários que participaram de manifestações contra Israel, medida que gerou críticas de organizações de direitos civis nos EUA e no exterior.
Segundo reportagens do Washington Post e do Guardian, o governo tem recorrido a uma legislação da era do macarthismo, que permite barrar a entrada ou permanência de estrangeiros considerados contrários à política externa americana. Em alguns casos, decisões de deportação foram temporariamente suspensas por tribunais federais após recursos apresentados pelos afetados.
Além disso, os EUA ampliaram o monitoramento de redes sociais de solicitantes de visto. Publicações consideradas incompatíveis com os interesses ou a política externa americana podem pesar negativamente na análise dos pedidos, segundo documentos obtidos por veículos internacionais.
Deportações em massa
Paralelamente à suspensão de vistos, o governo americano intensificou operações de deportação. Dados do Departamento de Segurança Interna indicam que mais de 605 mil pessoas já foram deportadas no atual governo, enquanto outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente nos últimos meses, muitas após notificações ou fiscalizações migratórias.
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a suspensão de vistos e o aumento das deportações fazem parte de uma estratégia coordenada para reduzir drasticamente a imigração legal e ilegal, com impactos diretos sobre estudantes, turistas, trabalhadores temporários e famílias que aguardavam autorização para entrar nos Estados Unidos.
Para cidadãos brasileiros, consulados ainda não informaram quando — ou se — o processamento de vistos será retomado, o que gera incerteza para quem tinha viagens, estudos ou contratos de trabalho planejados no país.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação


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