18/07/2026

Desembargador rebate fake news sobre escolha no TJ-AM e reforça trajetória própria de advogada em disputa

         

O desembargador Flávio Pascarelli reagiu à repercussão de uma reportagem publicada por um site nacional de grande alcance, que sugeriu uma possível tentativa de interferência para emplacar sua ex-esposa na vaga do Quinto Constitucional no Tribunal de Justiça do Amazonas. A matéria apresenta a narrativa de que o magistrado estaria atuando para favorecer a advogada Giselle Falcone Medina, interpretação que foi contestada pelo próprio desembargador.

Na manifestação, Pascarelli afirma que não mantém relação conjugal com Giselle há anos e que não existe qualquer elemento que sustente a tese de interferência. Ele destaca que a advogada possui trajetória própria e consolidada, construída com atuação reconhecida no meio jurídico.

Giselle tem histórico relevante na advocacia e já ocupou função de destaque como juíza da classe dos advogados no TRE-AM, sendo a primeira mulher a exercer esse posto. Nos bastidores da disputa e também nas redes sociais, vem conduzindo sua candidatura de forma ativa, com articulação própria e foco em sua experiência profissional.

Ao rebater a abordagem da reportagem, o desembargador chama atenção para o risco de reduzir a trajetória de uma mulher à suposta influência masculina, classificando esse tipo de narrativa como inadequado e distante dos fatos. Segundo ele, esse tipo de leitura desconsidera a autonomia profissional e o reconhecimento construído ao longo dos anos.

Pascarelli também amplia a crítica ao destacar que tanto o Judiciário quanto a imprensa estão sujeitos ao controle público, mas que esse processo exige compromisso com a verdade. Para ele, interpretações sem base factual podem comprometer o debate público e atingir indevidamente a reputação dos envolvidos.

O episódio ocorre em meio à suspensão da votação da lista da OAB no Amazonas, determinada pela Justiça até que sejam analisadas impugnações relacionadas ao processo do Quinto Constitucional. Em termos simples, o Quinto Constitucional é a regra que permite que advogados e promotores ocupem vagas nos tribunais, após seleção interna e escolha final pelo chefe do Executivo.

A seguir, a nota na íntegra do desembargador Flávio Pascarelli:

“A legitimidade de quem julga depende de suas decisões resistirem ao controle da advocacia e ao escrutínio da imprensa. Decidir é aceitar ser confrontado.

Tenho profundo respeito pela advocacia e pela imprensa, que sempre defendi no tribunal e na Escola Superior da Magistratura do Amazonas como funções essenciais ao Estado de Direito.

Mas esse controle exige compromisso com a verdade.

Não há qualquer fato que autorize a narrativa de imposição de nome ou de influência pessoal sobre a trajetória de Giselle Falcone Medina, de quem sou divorciado há anos. Trata-se de uma profissional com percurso próprio, autonomia e reconhecimento.

Registro minha solidariedade à agressão sofrida, que não atinge apenas sua honra, mas reproduz a desqualificação de mulheres por meio de narrativas que lhes negam autonomia.

Lamenta-se ainda mais quando esse tipo de conteúdo é reproduzido por outra mulher, que, ao compartilhar e dar sua digital à narrativa, acaba por reforçar exatamente o tipo de redução que tantas vezes se combate, evidenciando que não se trata de divergência, mas de responsabilidade com a verdade e com a forma como se retratam trajetórias femininas.

A crítica é essencial. Advogados, jornalistas e sociedade exercem esse controle. Sem verdade, não há julgamento legítimo.”

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