Com a 2ª pior nota do país em saúde e bem-estar, Macapá corre atrás do que importa: o show da Anitta no Réveillon

A saúde é um dos principais pontos de alerta. O baixo desempenho no IPS reflete limitações no acesso a serviços médicos, fragilidade na atenção básica, filas, falta de cobertura de água tratada e a persistência de doenças relacionadas à ausência de saneamento adequado. Segundo o Instituto Trata Brasil, Macapá trata apenas 14,42% de seus esgotos — um dos piores índices entre capitais brasileiras — e convive com distribuição irregular de água potável, agravando riscos sanitários e pressionando o sistema de saúde.
Apesar desse cenário, o Governo do Amapá anunciou a cantora Anitta como atração principal do Réveillon 2026, sem revelar qual será o valor do cachê e como será feito o pagamento. O show, previsto para o dia 29 de dezembro ao lado da Fortaleza de São José, foi apresentado como um evento turístico capaz de trazer “empregos e autoestima” à população.
O debate ganhou força após o Estadão divulgar que Anitta recusou se apresentar no Réveillon de Natal (RN) por causa do uso de verba pública. A equipe da artista reafirmou que, por orientação jurídica, ela só aceita contratos via empresas privadas habilitadas, responsáveis por toda a execução financeira e legal dos eventos.
O valor de mercado da artista ultrapassa R$ 500 mil em apresentações comuns, podendo ser maior em datas de fim de ano. O governo do Amapá, porém, não explicou se haverá participação financeira do Estado, renúncia fiscal, patrocínios indiretos ou aporte da iniciativa privada.
Casos semelhantes já motivaram ações de Ministérios Públicos na Amazônia. Em Parintins (AM), o MP abriu procedimento para investigar o pagamento de R$ 500 mil pelo show da cantora em festa municipal, apontando possível incompatibilidade com a situação financeira local — um debate que se repete quando governos priorizam grandes eventos enquanto serviços essenciais permanecem deficitários.
Mesmo com o apelo turístico do Réveillon, os dados do IPS e do saneamento mostram um contraste claro entre a festa milionária e as necessidades urgentes da população. Em uma capital que luta com indicadores críticos de saúde, esgoto, água potável e qualidade de vida, a prioridade escolhida pelo governo reacende discussões sobre responsabilidade, transparência e prioridades públicas.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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