Caso Bual reacende debate sobre “blindagem parlamentar” — e o Brasil já disse não a isso

Após a operação que levou à prisão do vereador Bual e de seu chefe de gabinete, alguns jornalistas e parlamentares passaram a defender a criação de mecanismos de contenção que limitem a entrada da polícia em gabinetes legislativos. O argumento seria o de “proteger a independência do Parlamento”. Mas, na prática, o que se desenha é uma tentativa de blindagem contra a investigação pública.
O Brasil já viveu esse debate — e o povo foi às ruas. A sociedade não aceita que mandatos sejam usados como escudo para práticas ilícitas. Quando há provas concretas e mandados judiciais, a polícia age porque existe fundamento. Não há abuso em cumprir a lei; há abuso, sim, em tentar impedir que ela alcance quem tem poder político.
Se o parlamentar age com honestidade, caráter e respeito ao dinheiro público, jamais será alvo de operação. É preocupante ver jornalistas que deveriam defender a transparência e a fiscalização se alinhando a discursos que buscam proteger maus políticos sob o pretexto da “autonomia dos poderes”.
A independência do Legislativo não se confunde com impunidade. E o caso Bual deixa claro: o verdadeiro escudo de um parlamentar é a retidão de sua conduta, não a blindagem de seu gabinete.




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