Após crise recorde de fumaça no AM, governo anuncia 16 aeronaves, novos recursos e tecnologia para lançar água sobre incêndios

Em Manaus, ministros detalham reforço militar, quase R$ 100 milhões em projetos sob análise e instalação de uma base da Força Nacional do SUS. Prefeito Renato Júnior afirma que capital é vítima da fumaça e pede que crise não seja politizada.
Após dias de fumaça intensa, piora histórica da qualidade do ar e cobranças da população por providências, o governo federal anunciou neste domingo (18) novas medidas para enfrentar os incêndios florestais no Amazonas. Entre elas estão a ampliação para 16 aeronaves, o envio de equipamentos capazes de lançar milhares de litros de água sobre áreas atingidas pelo fogo e a previsão de aumento dos recursos destinados ao estado e aos municípios.
Os anúncios foram detalhados durante a chegada de uma comitiva de 27 pessoas à Base Aérea de Manaus, no aeroporto de Ponta Pelada, Zona Sul da capital. Participaram os ministros José Múcio Monteiro Filho, da Defesa; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional; e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou à imprensa que as Forças Armadas terão participação ampliada no combate aos incêndios. Segundo ele, será instalada em Manaus uma estrutura de comando militar para coordenar as operações, com participação das três Forças.
“Há indiscutivelmente um aporte de recursos muito maior do que vem acontecendo”, afirmou o ministro, que também anunciou o acompanhamento de possíveis práticas criminosas relacionadas aos incêndios, com participação dos órgãos de segurança.
Uma das novidades foi apresentada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho. Segundo ele, serão enviadas aproximadamente 70 caixas com capacidade para mil litros de água cada. Os equipamentos poderão ser lançados de aeronaves sobre os focos de incêndio, produzindo um efeito semelhante ao de uma chuva concentrada.
“Pode levar catorze, quinze caixas d’água dentro do avião, que é uma chuva de catorze, quinze mil litros”, explicou José Múcio.
O ministro também reconheceu uma das dificuldades enfrentadas pelas operações aéreas: a própria fumaça que encobre Manaus. Ele afirmou que algumas aeronaves podem permanecer em solo por falta de visibilidade, embora estejam disponíveis para as missões.
Na área financeira, o ministro Waldez Góes informou que os primeiros R$ 14 milhões já estão disponíveis ao Governo do Amazonas. Além desse valor, quase R$ 100 milhões em planos de trabalho elaborados pelo estado e por prefeituras estão em análise para aprovação de novos repasses.
“Nós vamos aumentar significativamente os recursos disponíveis para o Governo do Estado do Amazonas e prefeituras relacionados a planos de combate a incêndio”, declarou Waldez Góes.
O anúncio representa a possibilidade de ampliação expressiva dos investimentos, mas os valores adicionais ainda dependem da análise e aprovação dos projetos apresentados.
O prefeito de Manaus, Renato Júnior, esclareceu que os recursos anunciados não são destinados à prefeitura da capital, mas ao Governo do Amazonas e a municípios do interior. Ele destacou que Manaus sofre principalmente os efeitos da fumaça transportada de áreas atingidas pelos incêndios, inclusive de outros estados.
“Manaus não está em chamas. Manaus apenas sofre os efeitos dos municípios de outros estados que estão em chamas. Manaus só está sofrendo com a fumaça, é vítima da fumaça”, afirmou.
Renato Júnior também demonstrou otimismo com o reforço federal, agradeceu a intermediação do senador Eduardo Braga junto ao presidente Lula e pediu que a situação não seja transformada em disputa política.
“Esse é o momento que eu peço que não politizem esse momento. É um momento de necessidade extrema pro povo de Manaus”, declarou o prefeito.
Segundo ele, aproximadamente 2,3 milhões de moradores da capital estão enfrentando os efeitos da poluição. O prefeito afirmou que o combate aos incêndios na origem é fundamental para reduzir a fumaça que chega à cidade.
“Isso devolve ao povo de Manaus a esperança de que esse fumaceiro vai embora, vai acabar, porque se eles atingem a causa, que é o incêndio, logo o efeito, que é a fumaça, também vai se dissipar em algum momento”, disse Renato Júnior.
Outra medida confirmada foi a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, prevista para terça-feira (20). A estrutura deverá reforçar a capacidade de atendimento diante dos efeitos da fumaça sobre a saúde da população.
Entre as autoridades presentes na Base Aérea estavam o prefeito Renato Júnior, o vice-governador Serafim Corrêa, o senador Eduardo Braga, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, e o ex-deputado federal Marcelo Ramos, além de representantes da Aeronáutica e da Polícia Federal. O governador Roberto Cidade não participou desse encontro preliminar.
A ampliação dos recursos e equipamentos ocorre depois de sucessivos dias de agravamento da fumaça e de manifestações da população nas redes sociais, cobrando respostas mais efetivas das autoridades. O desafio agora será transformar os anúncios em operações capazes de reduzir os incêndios e melhorar a qualidade do ar.
A chegada dos reforços representa uma nova etapa da mobilização federal, mas os resultados dependerão da efetiva utilização das aeronaves, da liberação dos recursos e das condições de operação nas áreas atingidas.
O Portal Fatos Marcantes acompanhou a movimentação das autoridades na Base Aérea de Manaus e os anúncios das novas medidas de enfrentamento às queimadas.




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