Defensoria aponta falta de aviso prévio e de alternativa de moradia em reintegração de posse no Santa Etelvina

A Defensoria Pública do Amazonas afirma que não foi avisada previamente sobre a reintegração de posse realizada nesta quarta-feira (28/10), no bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus, e que não houve apresentação de uma solução adequada de realocação para as famílias atingidas. A prefeitura, responsável pelo pedido de desocupação, afirma que o terreno será destinado à construção de 320 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.
Segundo a Defensoria, a operação ocorreu sem a articulação necessária entre os órgãos envolvidos. A instituição integra a estrutura de interlocução do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, mas afirma que não recebeu comunicação prévia sobre a ação.
Quanto ao atendimento aos moradores, o órgão informou que, conforme os relatos recebidos, a prefeitura não apresentou previamente uma alternativa adequada para realocar as famílias.
A Defensoria sustenta que o cumprimento de decisões judiciais não dispensa as garantias para desocupações coletivas estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na ADPF 828, e pela Resolução nº 510/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“O cumprimento de ordens judiciais deve ocorrer com respeito aos direitos fundamentais, especialmente à moradia, à dignidade humana e à proteção de famílias em situação de vulnerabilidade social”, afirmou a instituição em nota.
O órgão anunciou que adotará medidas jurídicas e administrativas para apurar as supostas irregularidades e buscar a responsabilização por eventuais violações.
Posicionamento da prefeitura
O procurador do município Thiago Calandrini afirmou que o terreno pertence à prefeitura, tem aproximadamente 21 mil metros quadrados e receberá 320 unidades habitacionais. Segundo ele, o projeto já foi aprovado pela Caixa Econômica Federal e depende da liberação da área para avançar.
Calandrini disse que esta foi a quarta vez que equipes municipais foram ao local para retirar os ocupantes e que houve tentativa de negociação para a saída das famílias e a retirada dos pertences. O procurador também alegou que o município tem prazo curto para entregar a área desocupada à Caixa.
“A Prefeitura não gostaria de fazer essa desocupação”, declarou, ao defender a destinação do terreno ao programa habitacional.




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