Combate às queimadas no Amazonas terá 11 aeronaves; União reconhece emergência para ampliar apoio

Frota anunciada passou de nove para 11 aeronaves; ministros também anunciaram reforço nas investigações e notificações a proprietários de 725 imóveis rurais no estado
O governo federal anunciou neste sábado (10), em Manaus, a ampliação de nove para 11 aeronaves destinadas ao combate às queimadas no Amazonas e o reconhecimento da situação de emergência por incêndios florestais no estado. Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a medida permite ampliar a resposta de órgãos federais e viabilizar recursos conforme as necessidades e os planos de trabalho apresentados pelo governo estadual.
Os anúncios foram feitos durante coletiva na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), com a participação do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, do governador Roberto Cidade, de representantes da Prefeitura de Manaus e de autoridades envolvidas na operação.
Além das aeronaves, foi anunciada a mobilização de quase 300 profissionais para reforçar as equipes de combate. A estrutura aérea inclui o KC-390, outros aviões e helicópteros. Segundo Capobianco, parte do reforço foi remanejada de operações em outras regiões do país.
Waldez informou que o decreto estadual de emergência por incêndios florestais recebeu reconhecimento federal no próprio sábado, sem aguardar a segunda-feira. O ministro apresentou a formalização da emergência e dos pedidos locais como exigências para disponibilizar o apoio solicitado.
“Eu não poderia botar um equipamento à disposição do governo do estado sem um decreto do governo do estado”, afirmou. Segundo ele, cabe às autoridades locais identificar as necessidades e encaminhar as solicitações.
Além do combate ao fogo, o apoio poderá contemplar atendimento de saúde e assistência humanitária, com alimentos, água, transporte, combustível e materiais de higiene. Waldez afirmou que planos de trabalho inseridos no sistema federal no domingo poderiam ser aprovados já na segunda-feira, com a garantia de novos recursos.
O ministro também disse que o Amazonas poderá solicitar recursos para contratar aeronaves ou horas de voo, caso os equipamentos anunciados sejam insuficientes. Segundo ele, existe uma ata de registro de preços do Ministério da Gestão e da Inovação à qual o estado poderá aderir para ampliar a operação.
Para este domingo (11), as autoridades anunciaram uma reunião no centro de monitoramento e um sobrevoo pelas áreas atingidas. A avaliação deverá orientar a distribuição das aeronaves e das equipes, além de eventuais pedidos adicionais de apoio.
Na área de fiscalização, Capobianco informou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou os proprietários de 725 imóveis rurais no Amazonas onde foram identificados incêndios recorrentes ao longo dos anos.
Segundo o ministro, os responsáveis deverão adotar medidas preventivas e estarão sujeitos às sanções previstas na legislação caso descumpram essas obrigações. A notificação, por si só, não significa que todos os proprietários tenham provocado incêndios criminosos.
Capobianco também anunciou a intensificação das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ibama. Ao apresentar o histórico dessa atuação, citou mais de cem inquéritos criminais abertos em 2024 e prisões decorrentes das apurações, sem detalhar quantos desses casos ocorreram no Amazonas.
A coletiva também foi marcada por perguntas sobre as divergências entre representantes dos governos estadual e federal a respeito de uma possível recusa de ajuda.
O jornalista Fábio Melo, do Portal Fatos Marcantes e da Rede Tiradentes, questionou se os atritos haviam sido superados e se dificuldades de articulação tinham comprometido a rapidez da resposta à população.
Capobianco citou ações federais realizadas desde 2023 e investimentos para equipar o Corpo de Bombeiros. Segundo ele, foram aprovados R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para o estado, dos quais R$ 34,7 milhões já haviam sido desembolsados.
O ministro defendeu a continuidade da cooperação e afirmou que eventuais divergências deveriam ser tratadas posteriormente. “O que existe é cooperação e ação integrada”, declarou.
A cobrança foi retomada pela Rede Amazônica, que relatou ter encontrado moradores combatendo incêndios com equipamentos improvisados em dois pontos de Careiro da Várzea, sem equipes públicas nos locais visitados. A emissora perguntou sobre o tempo de resposta e sobre qual das versões a respeito da possível recusa de ajuda era verdadeira.
Waldez fez referência à declaração de um integrante do governo estadual e à resposta federal. Ao mencionar o comandante do Corpo de Bombeiros, criticou a manutenção da controvérsia e pediu concentração no combate aos incêndios.
“Então, a palavra de ordem nossa aqui é não botar fogo, é apagar fogo”, afirmou, em uma fala seguida de aplausos. Segundo o ministro, a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter uma força-tarefa integrada. Ele assegurou que equipes federais permanecerão no Amazonas até o controle do fogo.
Roberto Cidade agradeceu o envio de aeronaves, equipamentos e profissionais, ressaltou o trabalho dos bombeiros estaduais e defendeu a união entre os governos. Ao comentar as divergências, acrescentou: “A verdade, ela sempre vai aparecer, mas hoje o momento é de trabalho, de dedicação”.
O governador também afirmou que parte da fumaça vem de estados vizinhos, citando o Pará, e disse que o monitoramento dos ventos e dos principais focos deverá orientar a operação.
Embora Waldez tenha apresentado o decreto de emergência como parte do procedimento necessário à ampliação do apoio, a coletiva não detalhou a tramitação do pedido específico que originou a controvérsia nem esclareceu se as divergências interferiram no tempo de resposta.
As autoridades pediram ainda que a população evite o uso do fogo na limpeza de terrenos, pastagens e na queima de lixo, para reduzir o surgimento de novos focos e não prolongar a fumaça que atinge Manaus e outros municípios.




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