27/07/2026

Operação do MPAM mira 24 investigados por empréstimos de até R$ 200 mil e juros de 70% ao mês em Manaus

         

Foram expedidos dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão; policial militar e três advogados estão entre os investigados

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) deflagrou, nesta segunda-feira (27), a operação Usura, contra um grupo investigado por conceder empréstimos de até R$ 200 mil, com cobrança de juros que variavam entre 30% e 70% ao mês, em Manaus.

Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por suspeita de envolvimento nos crimes de agiotagem, extorsão e organização criminosa.

A operação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil do Amazonas.

Nesta fase, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Um dos investigados não foi localizado e é considerado foragido.

As buscas ocorreram em imóveis nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, duas pessoas também foram presas em flagrante. Uma delas é suspeita de desacato.

Investigação começou após denúncia

A apuração começou há cerca de quatro meses, após a denúncia de uma servidora do Poder Judiciário.

Segundo o MPAM, a denunciante relatou que o grupo oferecia empréstimos a servidores públicos e utilizava intimidação para cobrar as dívidas.

As investigações apontam que os suspeitos mantinham uma estrutura organizada para conceder dinheiro com juros considerados abusivos. As cobranças seriam feitas principalmente por meio de pressão e intimidação psicológica.

A maior parte das vítimas identificadas até o momento trabalha no Poder Judiciário. O número total de pessoas afetadas ainda não foi divulgado.

O MPAM também informou que ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro causado pelo esquema nem determinar há quanto tempo o grupo atuava.

Policial militar e advogados são investigados

Entre os investigados estão um policial militar e três advogados.

Os escritórios ligados aos profissionais também foram alvo de buscas por, segundo a investigação, estarem diretamente relacionados aos suspeitos.

A primeira prisão relacionada à operação ocorreu na quarta-feira (22), quando um policial militar suspeito de integrar o grupo foi detido.

Nesta segunda-feira, o MPAM realizou a principal fase da operação, com o cumprimento dos demais mandados expedidos pela Justiça.

Dinheiro, veículos e joias apreendidos

Durante as buscas, foram apreendidos dois veículos, joias, documentos, aparelhos celulares e dinheiro em espécie.

A estimativa inicial é de que aproximadamente R$ 160 mil tenham sido encontrados. O valor ainda passará por conferência oficial.

A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados.

De acordo com o coordenador do Gaeco e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado, promotor Leonardo Tupinambá, as investigações são conduzidas pelo promotor André Epifânio, com apoio dos demais integrantes do grupo.

A apuração continua sob sigilo para identificar outras possíveis vítimas, calcular os prejuízos e verificar se mais pessoas participaram do esquema.

 

Fonte: Fatos Marcantes

Foto: Divulgação   

 

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