Marcelo Ramos diz que PT nacional quer candidatura à Câmara e avalia futuro político para 2026

Ex-deputado afirma que recebeu decisão com frustração e diz que irá conversar com familiares, militantes e aliados antes de definir se disputará eleição
O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) afirmou, em vídeo publicado nesta terça-feira (14), que a direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) defende que ele dispute uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, e não uma cadeira no Senado, como vinha planejando nos últimos meses.
Segundo Ramos, a decisão do partido foi baseada no entendimento de que uma candidatura própria ao Senado poderia prejudicar a campanha do senador Eduardo Braga (MDB), que busca a reeleição no Amazonas.
O ex-deputado afirmou que recebeu a posição da legenda com frustração e até indignação, mas destacou que precisa colocar a responsabilidade com o projeto político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva acima de interesses pessoais.
“Infelizmente, já havia uma convicção ou uma tendência da direção nacional. Isso faz com que eu tenha um profundo sentimento de frustração. E até certa indignação. Mas esses sentimentos precisam ser menores do que a minha responsabilidade com o projeto do presidente Lula e com o futuro do país”, declarou.
Ramos afirmou que, neste momento, possui três possibilidades para as eleições de 2026: manter a pré-candidatura ao Senado, mesmo sabendo que a decisão final sobre candidaturas majoritárias cabe à Executiva Nacional do PT; disputar uma vaga de deputado federal; ou não concorrer a nenhum cargo.
O ex-deputado informou que pretende conversar com familiares, militantes e aliados antes de tomar uma decisão sobre seu futuro político.
Reunião com direção nacional do PT
No vídeo, Marcelo Ramos também negou que tenha recebido convite para coordenar a campanha do presidente Lula no Amazonas.
“Ninguém nunca, jamais, em momento algum conversou comigo sobre ser coordenador da campanha do presidente Lula”, afirmou.
De acordo com Ramos, durante uma reunião realizada na sexta-feira (10), integrantes da direção nacional do PT comunicaram o entendimento de que ele deveria disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para ajudar o partido a alcançar o quociente eleitoral e voltar a ocupar uma cadeira na Casa.
Segundo ele, a avaliação teria sido influenciada por uma manifestação do senador Eduardo Braga, que considera que uma candidatura de Ramos ao Senado poderia prejudicar sua campanha e abrir espaço para a eleição de dois senadores de oposição ao presidente Lula.
Ramos discordou dessa análise e defendeu que duas candidaturas alinhadas ao governo federal poderiam ampliar as possibilidades do eleitorado de esquerda, já que a disputa ao Senado permite dois votos por eleitor.
“Imagine a angústia do eleitor do presidente Lula que vai sair de casa para votar no senador Eduardo Braga e terá que escolher, no segundo voto, Alberto Neto, Plínio Valério, Wilson Lima ou anular o voto. É uma maldade com o eleitor”, afirmou.
O ex-deputado argumentou ainda que uma candidatura própria ao Senado poderia representar uma parcela do eleitorado identificado com a esquerda e com o presidente Lula.
“Iniciava com bom número de intenção de votos e ocupava o vazio de uma candidatura mais à esquerda, mais identificada política e ideologicamente com o presidente Lula, que tem uma força enorme no Amazonas, em especial no interior, mas hoje também na capital”, declarou.
Ramos afirmou que considera importante uma candidatura que defenda o legado do governo Lula e faça oposição ao bolsonarismo no estado.
Decisão deve ser tomada após conversas
Ao comentar os próximos passos, Marcelo Ramos disse que considera difícil disputar uma eleição para deputado federal neste momento, pois não vinha se preparando para essa possibilidade e parte de seus aliados já teria firmado compromissos em outras campanhas.
Ele também afirmou que avalia a possibilidade de não disputar nenhum cargo e seguir sua trajetória profissional iniciada após o fim do mandato, em 2022.
“Mas me sobram agora poucas alternativas: insistir numa pré-candidatura ao Senado, sabendo qual é a posição da direção nacional, que é quem tem a palavra final sobre as candidaturas majoritárias nas eleições de 2026; ser candidato a deputado federal, o que para mim é muito incômodo, pois não me preparei para isso e muitos dos meus aliados já firmaram compromissos nessa disputa; ou, por fim, não ser candidato a nada e dar continuidade à trajetória profissional que venho construindo desde o fim do meu mandato, em 2022”, afirmou.
O ex-deputado disse ainda que o apoio recebido de eleitores e aliados será levado em consideração antes da decisão final.
“Eu não posso simplesmente dizer que vou tocar minha vida e não olhar para essas pessoas que depositaram em mim sua confiança e suas esperanças. Então, o momento é de muita reflexão e de muita conversa”, declarou.
Ramos informou que retorna a Manaus nesta quarta-feira (15), quando deve se reunir com familiares, militantes e aliados para discutir sua participação nas eleições de 2026.




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