Estados Unidos e Irã assinam acordo para encerrar guerra no Oriente Médio

Documento foi assinado eletronicamente pelas autoridades dos dois países e prevê medidas para encerrar o conflito; cerimônia presencial está marcada para sexta-feira (19), na Suíça.
Os Estados Unidos e o Irã já assinaram o acordo de paz que prevê o fim da guerra no Oriente Médio. A confirmação foi feita nesta segunda-feira (15) pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, em entrevista à rede de televisão ABC.
Segundo Vance, a assinatura ocorreu de forma eletrônica. O texto final do acordo, no entanto, só deverá ser divulgado após a cerimônia presencial marcada para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, conforme informou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com informações da agência Reuters, assinaram o documento o presidente norte-americano Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e Mohammed Qalibaf, presidente do Parlamento do Irã.
O governo dos Estados Unidos considera que Qalibaf possui autorização do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, para negociar e assinar o acordo em nome do país.
A cerimônia presencial ocorrerá em Genebra e contará com a participação de representantes dos dois governos. Trump afirmou que Vance viajará à Suíça para formalizar a assinatura do tratado. Até o momento, não foram divulgados os nomes das demais autoridades que participarão do encontro.
Termos do acordo
Segundo a Reuters, o acordo prevê a abertura imediata do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo norte-americano ao Irã. Além disso, os dois países iniciarão ainda nesta semana discussões técnicas para aprofundar os termos do tratado.
O documento também prevê o alívio de sanções econômicas e o descongelamento de bens iranianos. No entanto, essas medidas ainda não foram implementadas.
Trump afirmou que os Estados Unidos aguardam ações concretas do governo iraniano antes de avançar com o relaxamento das sanções.
“Não aliviarei nada para o Irã até que façam o que devem fazer”, declarou o presidente norte-americano.
Apesar do avanço diplomático, autoridades dos dois países admitem que ainda existe desconfiança mútua. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que Teerã mantém uma “profunda desconfiança” em relação a Washington.
Estreito de Ormuz
Um dos principais pontos do acordo envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que o tratado garante a isenção permanente de qualquer pedágio para embarcações que utilizem a via marítima.
O governo iraniano, porém, apresentou uma interpretação diferente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baqaei, afirmou que não haverá cobrança de taxas de trânsito, mas serão aplicadas tarifas relacionadas a serviços marítimos.
Segundo ele, os valores poderão ser cobrados por atividades como navegação, proteção ambiental, seguros e outros serviços prestados aos navios que cruzarem a região.
Até a última atualização desta reportagem, o governo dos Estados Unidos ainda não havia comentado a posição iraniana.
Trump cita China, Rússia e Israel
Durante entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, contribuíram para a construção do acordo de paz.
O presidente norte-americano agradeceu aos dois líderes, mas fez críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Segundo Trump, o acordo foi fechado apesar das objeções do governo israelense. O presidente afirmou ainda que ajudou a evitar uma escalada que poderia colocar Israel em risco.
Trump também declarou que, caso o Irã não aceitasse um acordo, os Estados Unidos poderiam assumir um papel mais ativo na região e controlar parte das receitas geradas no Oriente Médio.




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