03/06/2026

Tarifas dos EUA podem chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros; governo tenta evitar nova escalada

         

Duas investigações conduzidas pelo governo norte-americano elevaram a tensão comercial entre os países e abriram negociações para evitar novas cobranças

A carga de tarifas proposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode chegar a 37,5%, caso todas as medidas em análise sejam implementadas. O percentual é resultado de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e tem mobilizado autoridades brasileiras em uma tentativa de evitar o aumento das taxas.

A primeira medida prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que determinadas práticas adotadas pelo Brasil dificultariam o comércio com os Estados Unidos.

Já uma segunda investigação, concluída nesta semana, aponta que o Brasil e outros 59 países teriam falhado na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, foi sugerida uma tarifa adicional de 12,5%.

Caso as duas propostas sejam confirmadas, a sobretaxa poderá atingir 37,5%, percentual próximo ao aplicado em outros episódios recentes de disputa comercial internacional.

Brasil e Estados Unidos mantêm negociações

O tema foi discutido nesta quarta-feira (3) durante um encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, realizado durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.

Segundo informações divulgadas por integrantes da delegação brasileira, os Estados Unidos sinalizaram interesse em manter as negociações abertas, enquanto o governo brasileiro defendeu o aprofundamento do diálogo para evitar a aplicação das novas tarifas.

Nos bastidores, a avaliação é de que os canais diplomáticos continuam funcionando e que ainda existe margem para negociação dentro do prazo de 30 dias acordado entre os governos dos dois países.

Lula critica medidas e promete reação

Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a postura adotada pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil não aceitará medidas consideradas prejudiciais ao comércio nacional.

“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana”*, declarou o presidente.

Lula também afirmou que pretende encaminhar uma nova carta ao presidente Donald Trump contestando as medidas e defendendo a posição brasileira nas negociações.

Durante o encontro, o presidente reforçou a defesa do PIX, sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central, citado por autoridades norte-americanas em discussões relacionadas às práticas comerciais brasileiras.

Governo busca alternativas

Apesar do discurso mais firme adotado pelo Palácio do Planalto, integrantes do governo avaliam que ainda há espaço para entendimento entre os dois países.

A estratégia brasileira é negociar separadamente cada uma das medidas propostas pelos Estados Unidos, buscando reverter total ou parcialmente as tarifas em discussão.

O caso é acompanhado pelos ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que tratam o tema como uma das principais pautas econômicas e comerciais do momento.

 

 

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