Transferência de mais de 70 PMs presos é concluída após protestos e atraso de seis horas em Manaus

Operação ocorre após fuga de 23 policiais militares e marca desativação do antigo núcleo prisional da corporação na zona norte da capital
A transferência de mais de 70 policiais militares presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), localizada na BR-174, foi concluída no início da tarde desta terça-feira (12), após cerca de seis horas de atraso e protestos de familiares em Manaus.
Os detentos estavam custodiados no Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte da capital, que será desativado após a retirada dos presos.
A operação, denominada Sentinela Maior, foi iniciada ainda durante a madrugada e contou com a participação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Mais de 100 agentes das forças de segurança participaram da ação.
Ao todo, os policiais militares presos foram transportados em três ônibus sob escolta de equipes do Batalhão de Choque, Rocam, Força Tática e do Comando de Policiamento Especializado (CPE).
Durante a operação, familiares dos detentos realizaram protestos em frente à unidade prisional e tentaram impedir a saída dos ônibus. Houve tumulto e confronto verbal entre manifestantes e equipes de segurança.
A transferência marca a etapa final da desativação do antigo núcleo prisional da PM, estrutura interna utilizada provisoriamente para custodiar praças da corporação, como soldados, cabos, sargentos e subtenentes.
A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas passa a funcionar no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
Segundo a Seap, o novo espaço foi adaptado para funcionar como unidade prisional formal da Polícia Militar, com regras específicas, maior controle administrativo e reforço na segurança.
A mudança ocorre meses após a fuga de 23 policiais militares registrada em 27 de fevereiro deste ano. Na ocasião, durante uma vistoria de rotina, a corporação identificou a ausência dos detentos.
Segundo a Polícia Militar, pelo menos 18 dos policiais retornaram espontaneamente ainda na mesma noite. No dia seguinte, a corporação informou que não havia mais foragidos.
O caso levou à abertura de investigações conduzidas pelo Ministério Público do Amazonas. Durante a Operação Sentinela, dois policiais militares foram presos suspeitos de facilitar a fuga dos detentos.
O então responsável pelo Núcleo Prisional da PMAM, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as investigações. Posteriormente, o oficial foi excluído da corporação por decisão do governo estadual, com base em entendimento do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Após a fuga, a Polícia Militar informou que os agentes responsáveis pela guarda da unidade foram presos em flagrante, afastados das funções e passaram a responder a procedimentos internos conduzidos pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD).




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