18/07/2026

Brasil registra primeira morte por hantavírus em 2026 enquanto OMS monitora surto em cruzeiro internacional

         

Caso confirmado em Minas Gerais não tem relação com surto registrado no navio MV Hondius; autoridades reforçam que variante brasileira não é transmitida entre pessoas

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou a primeira morte por hantavírus registrada no Brasil em 2026. O caso envolve um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que teve contato com roedores silvestres em área de lavoura.

Segundo a pasta, o paciente morreu em fevereiro e o caso foi confirmado laboratorialmente. A secretaria informou ainda que se trata de um episódio isolado, sem relação com o surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, investigado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nesta segunda-feira (11), a OMS informou que ao menos sete casos de hantavírus andino foram confirmados entre passageiros do cruzeiro. No total, nove casos estão sendo monitorados e três mortes foram registradas no surto internacional.

As autoridades brasileiras destacaram que a variante identificada no Brasil não é a cepa Andes, considerada a única forma conhecida do hantavírus com possibilidade de transmissão entre pessoas por contato próximo e prolongado.

“A SES-MG também esclarece que um segundo registro atribuído ao Estado não foi confirmado”, informou a secretaria em nota.

Segundo dados da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, o estado registrou quatro casos confirmados de hantavírus em 2025, com dois óbitos. Em 2024, foram sete casos e quatro mortes.

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil confirmou 35 casos e 15 mortes pela doença em 2025. Neste ano, até o fim de abril, sete casos haviam sido registrados nos estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No Paraná, dois casos foram confirmados em 2026, envolvendo um homem de 34 anos e uma mulher de 28 anos. Outros 11 registros seguem em investigação no estado.

As autoridades sanitárias paranaenses também reforçaram que não há circulação da cepa Andes no estado e que os casos brasileiros não possuem relação com o surto internacional registrado no navio.

O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados.

No Brasil, a doença foi identificada pela primeira vez em 1993 e, desde então, mais de 2,4 mil casos já foram registrados no País, com 926 mortes confirmadas.

A infecção costuma estar associada a atividades rurais, contato com áreas infestadas por roedores e ambientes fechados, como depósitos, galpões e armazéns.

Os sintomas incluem febre, dores no corpo, dor abdominal, dor lombar e dor de cabeça. Nos casos mais graves, podem surgir falta de ar, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.

Não existe tratamento específico para a doença. O atendimento é realizado com suporte clínico, principalmente nos casos respiratórios graves.

As autoridades de saúde recomendam manter alimentos protegidos, evitar acúmulo de lixo e entulhos, não deixar ração animal exposta e manter terrenos limpos para reduzir o risco de proliferação de roedores.

Outra orientação é evitar varrer ambientes fechados e secos com sinais de infestação, já que isso pode espalhar partículas contaminadas no ar.

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