18/07/2026

Quase metade dos brasileiros está endividada e dívidas somam R$ 557 bilhões, aponta Serasa

         

Com 82,8 milhões de inadimplentes, cenário pressiona orçamento das famílias e coloca programa Desenrola 2.0 no centro das renegociações

O número de brasileiros endividados chegou a 82,8 milhões em março, o equivalente a 49% da população adulta do país, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira (5). O volume total de débitos alcançou R$ 557,7 bilhões no período.

De acordo com os dados, quase metade das dívidas (47%) está concentrada em instituições financeiras, o que coloca esse tipo de débito no foco do programa Desenrola 2.0, lançado recentemente pelo governo federal para renegociação de pendências.

Além do setor bancário, 21% das dívidas estão ligadas a contas básicas, como água, energia e gás, enquanto 11,5% são referentes a serviços. Ao todo, o país soma 338,2 milhões de dívidas registradas, com valor médio de R$ 6.728,51 por pessoa. Já o valor médio por dívida é de R$ 1.647,64.

Levantamento complementar da Serasa, realizado em abril com 1.904 pessoas, aponta que o principal motivo do endividamento está relacionado à perda de renda ou desemprego, responsável por 38% dos casos. Em seguida aparecem gastos emergenciais (16%), desorganização financeira (13%), apoio a familiares (10%) e atraso de pagamentos (7%).

Para especialistas, programas de renegociação podem aliviar momentaneamente a situação das famílias, mas não resolvem o problema estrutural. “O programa Desenrola gera um alívio temporário, que é importante para que as pessoas possam buscar educação financeira e a melhor opção de crédito. Mas não pode se encerrar ali”, avaliou Fernando Gambaro, gerente da Serasa.

Desenrola 2.0 amplia renegociação de dívidas

O Desenrola 2.0 é voltado a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, e contempla dívidas bancárias contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

Entre as condições previstas estão descontos que variam de 30% a 90%, taxa de juros limitada a 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses. A primeira parcela poderá ser quitada em até 35 dias após a renegociação.

O programa também permite o uso de até 20% do saldo do FGTS, ou até R$ 1 mil — o que for maior — para amortização das dívidas. O valor renegociado, após descontos, terá limite de até R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira.

Bancos já sinalizaram adesão ao programa, mas aguardam ajustes operacionais para iniciar efetivamente a renegociação com os clientes. O acesso será feito pelos canais oficiais das instituições, como aplicativos, sites e agências.

A medida provisória que institui o Desenrola 2.0 foi publicada no início da semana e já está em vigor. A expectativa é que o programa contribua para reduzir o nível de inadimplência e reorganizar o acesso ao crédito no país.

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