Governo zera imposto do diesel, mas combustíveis seguem caros no Amazonas e reduções demoram a chegar às bombas

O governo federal anunciou a zeragem dos impostos PIS e Cofins sobre o diesel, medida que busca conter os impactos da alta internacional do petróleo provocada por conflitos no Oriente Médio. A expectativa do governo é que a redução tributária, somada a incentivos ao setor, possa diminuir o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro.
No Amazonas, onde os combustíveis figuram entre os mais caros do país, o impacto da medida é acompanhado com expectativa. Levantamento recente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indica que o diesel é vendido em média a cerca de R$ 6,99 por litro em Manaus, valor semelhante ao registrado nas últimas semanas na capital amazonense.
A realidade do consumidor, porém, vai além do diesel. A gasolina comum tem sido encontrada em Manaus por cerca de R$ 7,29 o litro, valor que coloca a capital amazonense entre as cidades com combustível mais caro do país. Em alguns postos, o preço já supera esse patamar dependendo da região da cidade.
No interior do estado, o cenário costuma ser ainda mais oneroso. Em municípios com maior isolamento logístico e dependência de transporte fluvial, o litro da gasolina pode chegar ou até ultrapassar os R$ 10, enquanto o diesel também registra valores mais elevados que os praticados na capital. A distância dos centros de distribuição, o custo do frete e a menor concorrência no mercado local ajudam a explicar a diferença de preços.
Embora a medida do governo federal seja focada no diesel, existe expectativa de que a redução desse combustível também possa aliviar, indiretamente, o custo do transporte e da logística, o que poderia refletir futuramente em outros combustíveis e até no preço de produtos transportados dentro do estado.
Durante o anúncio das medidas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o objetivo é evitar que a alta internacional do petróleo seja repassada diretamente à população.
“Estamos fazendo uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro.”
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o governo também pretende reforçar a fiscalização para evitar distorções no mercado de combustíveis e garantir que as medidas cheguem ao consumidor.
“Temos que garantir que as medidas definidas pelo presidente cheguem efetivamente à bomba e não fiquem no meio do caminho por atitudes especulativas.”
Ainda assim, um ponto frequentemente criticado por consumidores é a diferença de velocidade nos reajustes. Quando há indicativos de aumento — como guerras, alta do petróleo ou do dólar — os preços costumam subir rapidamente nas bombas. Já quando surgem anúncios de redução de impostos ou medidas para conter os valores, o repasse ao consumidor costuma levar muito mais tempo, e em alguns casos ocorre apenas parcialmente.
No Amazonas, onde o custo do abastecimento pesa mais no orçamento das famílias e no transporte de mercadorias, a expectativa agora é observar se a redução anunciada pelo governo realmente chegará aos postos — e principalmente se o diesel, combustível central para a logística do estado, terá de fato queda perceptível nas bombas.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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